lisboa em festa

No dia do feriado da nossa capital poderia falar do culto ao seu padroeiro Santo António de Lisboa, dos dotes de casamenteiro associados a este santo ou ainda do curioso responso/oração com o seu nome que muitos alegam ser uma preciosa ajuda na procura de objectos perdidos.

E poderia falar dos populares casamentos patrocinados pelo município, ou ainda das marchas populares e arraiais que habitualmente movem multidões pelas ruas da cidade, eventos que não se realizaram nos dois últimos anos devido à situação pandémica.

É certo que não haverá as tradicionais Festas de Lisboa…mas Lisboa está envolta numa festa de cor e emana uma imensa alegria proporcionada pelas flores dos jacarandás, evento que se repete anualmente e a que este Discretamente não resiste…

Para além do Santo António, há um outro santo também associado à cidade, o São Vicente, cujo corpo viaja eternamente dentro de uma barca vigiada por dois corvos no cimo de muitos postos de iluminação pública da cidade.

Sendo uma imagem já naturalmente curiosa, sempre me delicia encontrar nesta época do ano a referida barca navegando sobre e os jacarandás… num mar de ondas lilás!

No mínimo, é adorável!

Termino com uma fotografia que me parece revelar bastante bem a “essência” desta belíssima árvore.

A elegância e a expressividade que emana em cada um dos seus ramos permite desenhar histórias visuais únicas e irrepetíveis. São por isso infindáveis as que estão disponíveis no céu de Lisboa …e que eu tanto gosto de ler e apreciar nesta tempo de festa e de despedida da Primavera.

Esperemos que em 2022 a cidade volte finalmente a se vestir de gente e de muita Festa …porque os jacarandás sempre voltarão para a vestir de cor!!💜

dia de portugal

Uma janela…eu…e dois detalhes da região de Lisboa que marcam o nascer deste Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas

Num acordar madrugador olho em redor…e agrada-me a simples ideia de ser apenas um ponto de gente, um dos mais de 10 milhões de portugueses que vivem neste país. Muitos outros se espalham pelo mundo, mas estou certa que a maioria deixou aqui a alma e o desejo de futuro. Como aventureiros de longa data, sempre continuamos a espalhar raízes e sonhos por aí…

Doces de alma e sociáveis, normalmente estamos disponíveis a ajudar de uma forma genuína, amigável e solidária. E pela Vida, continuamos a ser poetas do sentir e da saudade.

Somos conhecidos por ser trabalhadores competentes, não obstante o gosto que temos pelos bons momentos de lazer e convívio. Assim como de uma mesa farta e saborosa, dos nossos bons vinhos e melhores doces, ou do sol que nos aquece, do mar, da praia e dos belos lugares que temos. Enfim, bons apreciadores da Vida e do Viver, apesar das notórias desigualdades na forma de o fazer.

É obvio que temos muitos defeitos, pois não há gente ou povo sem eles. Talvez o maior seja o facto de nos acomodarmos demasiado e sermos pouco reivindicativos/ lutadores por melhores condições de vida. Por outro lado também apreciamos tornear certas regras/legislações impostas de modo a não as cumprir. É obvio que isto acontece porque há pouco controle/fiscalização ou punição…

Acrescente-se ainda que somos um tanto desorganizados mas temos uma capacidade impar de desenrascar situações, arranjar soluções e de concretizar como ninguém no último momento. Enfim, somos o que somos, ainda que bem longe da perfeição. Ponto final.

Porém, neste sentir matinal tenho imenso orgulho em ser Portuguesa e de ter nascido neste cantinho do mundo, num povo cheio de passado e que escreveu história…mesmo que tantas vezes de uma forma nada recomendável e bastante censurável. Fomos cruéis, é verdade, mas isso felizmente não ficou na nossa herança genética como povo. Talvez tenhamos sublimado esses tempos em pacifismo… e na forma cordata como hoje nos relacionamos com o mundo.

Na actualidade, fazemos parte de uma Europa em equilíbrio instável…que se insere num mundo ainda mais instável. É nesse contexto que continuamos a aprender e a absorver o que os caminhos trilhados como País ao longo de séculos e décadas não permitiram interiorizar mais cedo. Porém, gostaria muito que nesse caminhar/progredir, sejamos capazes de manter o que temos de genuíno e a nossa verdadeira essência, especialmente o nosso lado muito humano e caloroso.

Apenas o futuro o dirá.

Faz hoje precisamente 441 anos que faleceu Luís Vaz de Camões, uma personagem símbolo neste país de poetas e aventureiros. Como referi inicialmente, este também é o seu dia.

ambiente

Tranquilidade, é o que esta imagem me transmite num primeiro olhar… talvez por se tratar de um detalhe do Alentejo onde nasci e que sempre me inspira esse sentimento pela harmonia da paisagem.

Insisto no olhar……e apesar do elemento central ser um veículo motorizado, encontro um equilíbrio entre as suas componentes.

Assim…

… o homem recorre à terra, de forma manual ou mecanizada, para a cultivar e retirar os seus alimentos essenciais…

… a terra necessita dos outros elementos da natureza – água, ar e sol – para que as sementes plantadas pelo homem ou de geração mais espontânea se desenvolvam, sejam alimento ou se transformem noutros recursos vitais…

… é ainda essa terra que disponibiliza de uma forma directa ou indirecta alimento a todos os animais que a habitam…

… muitos dos quais são agentes importantes nos ciclos reprodutivos da natureza e no processo de fecundação de muitas das plantas existentes…

… todas pertencentes ao reino vegetal, o grande produtor do oxigénio que todos os seres vivos respiram neste planeta…

… e assim por diante…

Ou seja, tudo tem a ver com tudo e tudo se completa, neste ciclo que poderia ser perfeito.

O meio ambiente mantêm o equilíbrio quando os recursos existentes são usados harmoniosamente e sem excessos. Quando os ciclos naturais são respeitados. Quando nenhum elemento da natureza é abusado e não lhe é exigido mais do que pode dar.

Incompreensivelmente, é o ser mais inteligente que habita este planeta – o homem – o que menos respeita o meio ambiente e o que mais o desequilibra.

Um bom paradoxo para meditar neste Dia Mundial do Meio Ambiente.

serra de carnaxide

Os dois períodos de confinamento a que fomos sujeitos em Portugal no último ano no âmbito da pandemia, concentraram o nosso olhar num circulo muito mais restrito do que o habitual. Por um lado, a casa, os detalhes, as suas janelas e o que estas nos ofereciam; e por outro, a área em que se insere a nossa residência, território que foi o limite do nosso restrito mundo durante esses meses.


Foi nesse contexto que a Serra de Carnaxide, uma pequeno maciço pertencente ao Complexo Vulcânico de Lisboa com uma área de 6 quilómetros quadrados e 211 metros de altura, foi por nós explorado em vários momentos, uma vez que a nossa residência se encontra na sua periferia.

Limitada a leste pela ribeira de Algés e a oeste pela ribeira do Jamor, é no seu cimo que passa a linha que separa os concelhos de Oeiras e da Amadora.

A área correspondente a este segundo concelho, localizado no lado norte, está a ser urbanizada e literalmente engolida por arruamentos e grandes empreendimentos habitacionais.

Infelizmente o mesmo está a suceder noutras áreas que integram o perímetro da serra, como é o caso da urbanização de grande volumetria que está a crescer em redor do pequeno maciço onde se localiza o farol da Mama de Carnaxide, este já no concelho Oeiras. Uma verdadeira dor de alma!

Já o lado sul do maciço central da serra, tal como bem revela a primeira imagem deste post, ainda mantém o seu estado natural e a flora espontânea que foi nascendo quando as terras deixaram de ser cultivadas. Algumas áreas porém, pertencentes a privados, ainda são alvo de cultivo.

São várias as colmeias que ainda existem no perímetro da serra

Por ser uma zona com nascentes, nas suas entranhas passa um aqueduto construído no séc. XVIII que forneceu a vila de Carnaxide e ainda contribuía com água para o grande Aqueduto das Águas Livres que abastecia Lisboa. Por esse motivo são várias as claraboias/respiradouros que pontuam esta serra e que muito a personalizam. A Mãe de Água é a estrutura de maior dimensão e de planta octogonal.

Em Carnaxide a água era recebida neste chafariz, datado de 1766 e mandado construir pelo rei D. José I. A primeira imagem mostra o seu alçado principal, em cantaria e equipado com duas bicas e um tanque; e a outra o alçado posterior com revestimento em azulejos, que creio serem já do séc. XX.

Voltando à serra e aos nossos passeios, foram muitos os atalhos que percorremos e exploramos…muitas subidas e descidas…por zonas abertas ou de densa vegetação…com ampla vista ou sem ela.
Cada incursão significou um novo caminho, mas em todos foram imensas as flores e os insectos que nos acompanharam e deleitaram o olhar.

No céu, em voos planados, as aves de rapinas estiveram presentes em vários momentos.

Por isso termino com esta bonita imagem de uma Águia d’asa redonda (Buteo buteo) captada pelo meu companheiro. Creio ser uma boa forma de concluir este post…por esses voos representarem aquela liberdade sem restrições que nós realmente não tínhamos.

Foto de Jorge Oliveira

chilreios

Num intenso chilreio…

… talvez partilhem alguns detalhes da grande viagem anual de regresso à Europa e sobre os milhares de quilómetros percorridos…

… talvez troquem sentires sobre o que viram numa Africa instável, com conflitos de difícil resolução e de sofrimento acumulado…

… talvez estejam a discutir a instabilidade meteorológica do planeta e como isso vai afectando os ritmos da sua espécie….

… talvez partilhem as condições dos beirais escolhidos para construir os ninhos…ou os locais com mais insectos voadores, a sua principal fonte de alimentação…

… talvez falem dos filhos que planeiam ter este ano…

… ou talvez não estejam a comunicar absolutamente nada e os seus sons sejam apenas de alegria por terem superado mais uma viagem fundamental à sobrevivência da espécie e regressado para mais uma Primavera!

As andorinhas são “marcadores de tempo”… e uma forma doce de percebermos que passou mais um ano na nossa vida!

comunicando

Comunicar com quem está perto de nós pode ser fácil (ou difícil…) e fazemo-lo através da voz, do olhar, do gesto, etc,. Mas comunicar à distância pode ser um acto bastante fácil com a panóplia de meios disponíveis que num instante nos levam a qualquer parte do mundo, seja através de um fio ou cabo submarino, seja através de satélite ou de outras formas que eu pouco entendo.

Agora é assim, mas antes não era, sendo que a evolução neste campo foi enorme e continua a ser uma constante….talvez porque o termo “velocidade” impregnou os nossos dias.

Recuando no tempo…

Na minha infância havia um telefone em casa. Porém, quando se pegava no auscultador aparecia uma voz feminina, uma telefonista intermediária que estava na central e a quem se pedia a chamada, sendo ela a fazer a ligação.

Este pequeno texto revela muito bem como evoluímos…

Nessa altura, eu até poderia saber que a voz se transmitia por fios, mas não poderia imaginar que cem anos antes de eu ter nascido já fora instalado um cabo submarino que atravessava o Oceano Atlântico para ligar a Inglaterra aos Estados Unidos e assim permitir as ligações telefónicas entre os dois continentes.

Foi há pouco tempo que percebi a importância e a dimensão desses cabos submarinos que atravessam os nossos mares e oceanos, assim como o papel do meu país nessa matéria em virtude da sua localização. A cidade da Horta, por exemplo, situada na ilha do Faial (Açores), chegou a ser ponto de amarração de quinze cabos da rede telegráfica submarina internacional.

A imagem que se segue mostra a extensão de alguns dos cabos submarinos existentes.

Sobre este assunto e outros relacionados com meios de comunicação, é imensa a informação disponível no Museu das Comunicações (Lisboa), local onde captei as imagens deste post. A segunda e a ultima pertencem à exposição permanente Vencer a distância – Cinco séculos de Comunicações em Portugal e a primeira e a terceira à exposição temporária Cabos submarinos, aí patente até ao final de 2021.

Visitar este museu é fazer uma intensa viagem no tempo, perceber o avanço vertiginoso das formas de comunicar – de todas as formas e de tudo o que lhe está associado – e é igualmente uma viagem por detalhes e memórias da nossa própria vida. Por tudo isso, recomendo vivamente.

Um aspecto da sala dedicada às pequenas obras de arte que são os selos

Neste dia em que se comemora o Dia Mundial das Telecomunicações e da Sociedade de Informação, não poderia deixar de referir este Museu e sobretudo de lembrar que, para chegarmos ao gesto já banalizado de pegar no nosso telemóvel para nos ligarmos ao mundo, foi necessário um caminho complexo, difícil, trabalhoso…mas seguramente genial!