vento norte

trevo3

Sopra forte
o vento norte.

Força o vidro
assobia na fresta
e esperançoso,
espera.

A janela
sente a corrente,
mas mostra-se indiferente…

Que pena,
pensa o vento,
é tão bela e transparente!

Que pena,
pensa a janela,
que bom seria ser vela
enfunar
e loucamente viajar
ao sabor deste vento!

 

(Dulce Delgado, Dezembro 2017)

 

 

 

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voltando ao cinema…

 

 

Lucky é o primeiro filme realizado por John Carroll Lynch e o último representado por Harry Dean Stanton, actor que faleceu com 91 anos no passado mês de Setembro, antes desta película ser estreada.

Algures numa América desconhecida e ao ritmo da idade e das rotinas que caracterizam o último tempo da vida, este bonito filme mostra o processo de consciencialização e preparação de um idoso para o fim que se aproxima. Curiosamente, entre a ficção e a realidade estava um actor, que entretanto morreu, talvez sorrindo com aquele sorriso revelador e sábio com que terminou este filme.

Poderia escrever muito mais, mas não o vou fazer. Vou deixar aqui as palavras do crítico de cinema Luís Miguel Oliveira, publicadas no Cinecartaz do jornal Público porque, no geral, me identifico bastante com a sua análise.

Num período do ano em que os cinemas funcionam para as “massas”, este filme é uma pequena pérola que se visualiza tranquilamente em salas quase vazias. Só por isso, merece toda a atenção e divulgação.

 

 

 

the only living boy in new york…

 

 

A frase que dá título a este post foi um dos temas do álbum Bridge over troubled water editado em 1970 pela dupla Simon and Garfunkel. Mas The only living boy in New York é também o título do último filme realizado por Marc Webb, agora em exibição nos cinemas.

Conta uma história simples, com princípio, meio e um inesperado fim, como convém a uma boa história. Fala de gente maioritariamente honesta e genuína, e fala de amor, de vários tipos de amor, seja do que se sente e mostra, do que flui no sangue e não se mostra, daquele que se dá porque mais não se pode dar, do amor vivido à distância, ou ainda do que ficou para trás e aí continua… à espera. Fala de amor, de amizade e de afectos.

É uma história-surpresa desempenhada por um grupo de actores jovens e menos jovens, como Callum Turner ou Jeff Bridges, que se desenrola ao som de numa excelente banda sonora. Pelo encadeamento, dinâmica das cenas e tipo de diálogos, pontualmente fez-me lembrar as películas de Woody Allen.

Diria que é um  filme “sem nada de especial”, mas que proporciona um momento agradável e nos faz sentir bem. Simplesmente isso.

Sendo essa uma boa sensação, deixo a sugestão!

 

 

 

dia sem compras…

 

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Por oposição ao Black Friday, dia de todas as compras, surgiu o Dia Mundial sem Compras, que se realizou pela primeira vez em Vancouver no Canadá, em 1992. Anos mais tarde o evento foi fixado nos EUA e no Canadá para a sexta-feira que se segue ao Dia de Acção de Graças (este comemorado na 4ª quinta-feira do mês de Novembro), e no resto do mundo para o último sábado de Novembro, hoje portanto.

Como sempre, há quem esteja a favor e contra. Pessoalmente não tenho posição, porque o que é necessário em tudo e também na hora de comprar é ter algum senso, ou seja, pensar se realmente determinada compra, mesmo que muito apelativa, faz ou não falta. Obviamente que de vez em quando uma pequena transgressão sem senso é saudável, assim como é importante termos a noção exacta do que determinado gasto representa em dias de trabalho e implica para o nosso orçamento.

Gostaria por isso de partilhar neste dia uma ferramenta informática denominada Desmotivador de compras, disponibilizada no site Finanças Pessoais da responsabilidade do especialista em finanças Pedro Pais, que mantém uma página bem elaborada, com muita informação que contribui para uma maior literacia financeira e, obviamente, a melhor gerir o orçamento.

Nesse simulador, introduzindo o salário liquido, ou seja o valor que nos chega à carteira, o número de horas semanais de trabalho e o valor da compra em vista, ficamos a saber de imediato a quantas horas ou dias de trabalho corresponde essa compra.

O resultado faz-nos pensar… uma…duas.. ou mais vezes ! Muito útil, nos momentos em que o olhar e a emoção sejam tendencialmente mais fortes que a racionalidade!

 

 

 

hoje

 

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O dia de hoje nasceu húmido e colorido na região de Lisboa, como revela esta imagem que a janela de minha casa permitiu ao primeiro olhar da manhã.

Bancos de nevoeiro descansavam nos vales e uma nuvem horizontal, com vontade de ser diferente das restantes, pontuava o espaço e fazia nascer uma nova paisagem e uma nova linha do horizonte.

Respirei fundo e agradeci. Certamente que com este prelúdio, será um dia bom!