experimentações #23

Tal como sucedeu no post anterior desta série experimentações, o que une os desenhos que hoje partilho é apenas o tom, neste caso a presença do rosa/lilás. Não aprecio especialmente esses tons, mas naquela altura, resolvi “brincar” com eles.

São igualmente desenhos não datados, mas que creio poder situar nos primeiros anos da década de noventa.

experimentações #22

Os desenhos de hoje têm em comum a cor, neste caso o azul e fazem parte de um conjunto não datado, pelo que decidi juntá-los pelas tonalidades. O mesmo acontecerá no próximo post desta série.

Estes tons de azul sempre me levam à divagação…ao sonho…e para outras realidades!

(Dulce Delgado, aguarela e tinta da China sobre papel)

cinco anos!

Já aqui partilhei o quanto aprecio um belo prado, seja pela liberdade que concedem à sua própria natureza, seja por acompanharem naturalmente o ritmo das estações do ano e, especialmente, por serem espaços abertos e repletos de possibilidades. Talvez por isso, neste dia em que faz precisamente cinco anos que publiquei o primeiro post no Discretamente, apetece-me divagar sobre a natureza de um prado e com ele fazer uma analogia.

O sentimento que me invadia no dia 28 de Abril de 2016, era algo semelhante à sensação de ter um pequeno terreno pela frente mas não saber se seria bom ou se nele cresceria algo. E especialmente questionava-me se ele seria o lugar mais propício ao desenvolvimento da minha vontade de partilha criativa.

O tempo foi passando, as estações do ano e a vida acontecendo, as emoções e sensações brotando….assim como o prazer e a alegria de ver nascer “naquele terreno” um pouco de tudo. Assim, ao longo destes cinco anos e muito para além do que eu alguma vez possa ter imaginado, brotaram 625 posts que incluíram centenas de textos, 145 poemas, 160 desenhos, assim como muitas centenas de fotografias, tudo de autoria própria.

Se estou grata por ter dado a mim própria a oportunidade de avançar com o objectivo de superar muitas inseguranças e intranquilidades criativas, estou ainda mais grata por ter uma filha que me ajudou na construção do blog e ensinou a lidar com a plataforma WordPress. Estou igualmente agradecida a todos os que me têm acompanhado, comentado, incentivado e que, de certa forma, já fazem parte da minha “outra família”. A todos discretamente agradeço.

Por fim, que a vida me permita continuar a apreciar e a “regar” com alegria este prado imaginário!

experimentações #18

O papel sempre foi o suporte preferido nas minhas experiências criativas. Em muitos momentos não o utilizei apenas como uma base, mas também como intermediário para chegar a algo.

No primeiro desenho, pequenos retângulos de papel foram utilizado como máscara, preservando algumas zonas de receber tinta; no segundo, um papel foi pintado, cortado e posteriormente colado noutro papel de suporte; e no terceiro, temos o exemplo de uma colagem pura, em que todas as formas foram recortadas de folhas de revistas e posteriormente coladas, permitindo um novo contexto e significado.

Gosto muito da versatilidade do papel e do seu fácil manuseio. Tudo se pode fazer com ele desde que haja criatividade e vontade. Até um papel amarrotado tem uma beleza muito própria. Basta pensarmos que duas folhas nunca se amarrotam do mesmo modo, sendo por isso peças e formas únicas que são palco de jogos de luz/sombra sempre diferentes.

(Dulce Delgado, papel, aguarela e tinta da china sobre papel, 1992)

experimentações #17

E as experiências continuaram orientadas pelo acaso, seja dos materiais seja dos gestos. Muita coisa foi parar ao lixo porque passava aquele ponto chamado “possibilidade” e virava borrão. Digamos que sabia quando isso acontecia…mas não sabia minimamente o que procurava.

Hoje, ao olhar para a maioria destes desenhos encontro pontos comuns entre eles. Encontro a vontade de “guardar algo” versus a vontade de dar/partilhar… encontro um desejo de exteriorização que se manifesta por vezes de uma forma um tanto explosiva…e encontro sempre um lado mais luminoso que contrasta com outro mais sombrio. Como sempre acontece na vida, aliás.

Ao elaborar este post e com um pouco de imaginação, achei muito engraçado o facto de percepcionar no canto inferior direito do último desenho duas figuras semi-ajoelhadas e com as mãos no chão… à semelhança de dois atletas que esperam o tiro de saída numa qualquer pista de atletismo para uma suposta corrida.

Uma espera que levou trinta e três anos a chegar ao meu olhar!

(Dulce Delgado, aguarela e tinta da China sobre papel, 1988)

experimentações #16

Iniciei então um tempo de experimentações, no verdadeiro sentido da palavra.

A necessidade de transmitir mensagens através dos desenhos deixou de ser importante, sento substituída pela vontade de explorar o acaso, a espontaneidade, os gestos e sobretudo os mais diversos materiais.

Apesar da prevalência deste lado tão experimental, sempre se manteve a procura de uma certa harmonia gráfica/cromática a partir do aparentemente inestético e, quantas vezes nascido do imprevisto.

Gostei muito desta fase completamente nova em que prevalecia não o pensamento mas o puro prazer de fazer.

(Gaze, cartão, caneta, aguarela e tinta da china sobre papel, Dezembro 1988)

 

experimentações #15

Oito anos depois, já com a vertente de mãe em “velocidade de cruzeiro” e os filhos a requererem uma atenção menos contínua, voltei a sentir vontade de fazer algo, de mexer em lápis, tintas, papéis e, sobretudo, vontade de reencontrar a criatividade que tinha e um prazer já esquecido.

Percebi de imediato que o grande detalhe ou experiências que exigissem muito tempo e concentração não seriam possíveis. Precisava apenas de aproveitar a pouca disponibilidade que tinha e sentir alguma satisfação com isso.

Percebi igualmente que o uso da lápis de cor e grafite/preto e branco faziam parte do passado e não seria o caminho a seguir. Pelo menos da forma que fizera antes. Comecei então a olhar mais para a cor, de preferência em meio aquoso, como a aguarela. Talvez por isso, gosto da ideia bastante romântica de que os meus filhos foram naturalmente os veículos que trouxeram “a cor” à minha vida!

Este desenho simboliza, de certa forma, esse renascer e o voltar a olhar para o que estava dentro de mim.

(Dulce Delgado, aguarela sobre papel, 1988)

experimentações #13

De certa forma, este desenho marca uma fronteira no tempo, no estilo e muito na vivência e percurso de vida. Talvez por isso, mais de quarenta anos depois ele continua a ser, para o meu sentir, um dos mais significativos.

Diria que representa o equilíbrio que se deseja entre o que somos/ sentimos/ guardamos, e o modo como o exteriorizamos e partilhamos com os outros, algo nem sempre fácil de conseguir.

Creio que será um trabalho para toda a Vida.

(Dulce Delgado, lápis cor/grafite sobre papel, Agosto 1979)

 

experimentações #12

#agosto 79 (2)a

 

As preocupações com o ambiente e os efeitos da poluição no planeta estiveram presentes em alguns desenhos da minha juventude.

Essa abordagem poderia ser relativamente pacífica e esperançosa, como  revela acima ou, pelo contrário, bastante explosiva e sem dar qualquer credibilidade à raça humana.

Diria mesmo que deveria estar num dia de grande revolta com a humanidade quando fiz o desenho que se segue…

 

Julho 79 ab

(Dulce Delgado, lápis de cor/grafite sobre papel, Julho e Agosto 1979)