dino parque

 

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A minha vertente mais céptica não põe minimamente em causa as descobertas e as certezas científicas sobre a presença de dinossauros neste planeta, mas creio que a imaginação humana tem uma significativa quota parte no que se refere a certos detalhes morfológicos como o aspecto e a cor que esses curiosos animais teriam. Contudo, essa minha dúvida não obsta a que aconselhe vivamente um passeio à zona da Lourinhã, vila localizada no extremo NW do distrito de Lisboa e ao Dino Parque que se situa na periferia daquela localidade.

Muito recentemente, junta-mo-nos sete adultos da família, sendo a presença infantil limitada à parcela de criança que todos guardamos dentro de nós e que em determinadas situações rapidamente vem ao de cima e se manifesta. Éramos  portanto sete adultos-crianças que naquele dia primaveril aprenderam alguma coisa mais, partilharam um piquenique e tiveram um dia bem passado pelos meandros da história deste nosso planeta.

Este parque temático possui cinco percursos que abrangem vários períodos geológicos da terra e as espécies que neles habitaram: o primeiro percorre o Paleozóico, que ocorreu há uns “meros” 500 e tal milhões de anos (Ma); o segundo, terceiro e quarto percorrem as três eras do Mesozóico, respectivamente o Triásico (250 a 210 Ma),  o nosso conhecido Jurássico (210 a 140 Ma)  e o Cretácico (140 a 65 Ma); e o quinto percurso, inaugurado recentemente, é dedicado unicamente aos monstros marinhos.

A maioria dos trajectos está muito bem conseguida pela simbiose entre os dez hectares de pinhal que o parque ocupa e os animais presentes. Possui detalhes engraçados e muito bem conseguidos, assim como uma sinalética perfeita e rica em informação. Os modelos, construídos à escala real a partir dos dados existentes, estão no geral  bem concebidos e todos revelam expressividade suficiente para nos levarem àqueles remotos tempos e até a sentirmos a sua vibração.

Por tudo isto, se têm crianças na família ou se ainda guardam a vossa curiosidade de criança, aconselho uma visita a este espaço, pois estou certa que o irão apreciar.

Como imagens, partilho apenas a inicial que mostra um aspecto do portal de acesso ao recinto e este detalhe que se segue, bem mais humano e emocional.

 

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As surpresas estão lá dentro e revelar mais imagens seria quebrar esse efeito.

Saliento ainda que a Lourinhã, para além de ser a área de Portugal onde existem mais vestígios de dinossauros, está inserida numa região com muitos locais de interesse e que merecem uma visita.

Por tudo isto, vale a pena o passeio!

 

 

 

 

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respirar

 

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No inspirar do dia,
adormece a noite
o escuro
e a melancolia.

No expirar da noite,
descansa a luz
o movimento
e o dia.

E no meu respirar
a vida acontece num ecoar,
e o tempo…
…o tempo passa
veloz
e sempre em tons de voar!

 

(Dulce Delgado, Maio 2019)

 

 

 

 

amigos da nespereira

 

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Um ano……outro……e outro mais, e todos os anos eles voltam à nespereira! Sempre!

Entretanto a árvore continua a crescer…

E eu  tenho mais um ano de idade……e outro…..e outro mais……

Em cada Primavera a nespereira dá frutos para as aves que a procuram. Literalmente.
O acesso a esta árvore não é fácil e a verdade é que nunca vi humano por perto. Mas o dia não tem apenas as minhas horas de trabalho, período em que o meu olhar a pode espreitar.

Os periquitos-de-colar são os mais ávidos e expressivos. O seu tamanho e colorido favorece essa percepção. Pombos, melros, pardais e outras pequenas aves também se deleitam com tal néctar.

Por muito devagar que se abra a janela para os fotografar, uma nesga apenas…é gesto suficiente para que o detectem e fujam!  Sempre que tal acontece sinto-me “culpada” por mais uma vez interromper tão aprazível momento.

Saio da janela, volto para a minha actividade…. e estou certa que em breve eles voltarão para continuar a sua.

Muito raramente, algum mais concentrado (ou surdo…), demora mais tempo a reagir e torna uma fotografia viável. Como as duas que inseri no post.

Nesta última, creio que ele até me estava a cumprimentar!

 

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Se nos próximos cinco anos continuarmos este “jogo”, será um bom sinal para mim e para eles!

 

 

 

 

o professor e o louco

 

 

Um dicionário ou uma enciclopédia ocupam na maioria das habitações um recanto de uma estante… mas todos sabemos que são cada vez menos utilizados.

Se a minha geração ainda continua a recorrer a eles porque cresceu fazendo esse gesto, já as seguinte dizem: “Dicionário para quê? Vai-se à net!”

Sou especialmente apreciadora do dicionário Lello Universal, através de uma edição organizada e publicada em 1978 pela Livraria Lello &irmãos (Porto), composta por dois grandes volumes com letra muito pequena e onde se encontram palavras que outros mais recentes não possuem. É uma delícia de livro, ainda com desenhos/gravuras a complementar muitas das entradas.

Ele está na prateleira para quando é necessário. No entanto, apesar de o apreciar e usar, é um dado adquirido, como tantos outros que temos na nossa vida. Nunca levei o meu pensamento para a sua construção, o que lhe deu origem, quem realmente o concebeu, quantos anos terá levado a surgir a primeira edição, etc, etc

O Professor e o Louco é um interessantíssimo filme irlandês realizado por Farhad Safinia, que tem como actores principais Mel Gibson e o magnífico Sean Penn, este último num dificílimo papel. Encontra-se em exibição em muitas salas de cinema portuguesas e é um drama biográfico passado no séc. XIX que narra o nascimento do conhecido Oxford English Dictionary.

Numa época em que se escrevia com tinta e aparo, a distância que separava aqueles pioneiros das potencialidades dos nossos computadores e das tecnologias de armazenamento actuais, era tão grande como a que nos separa da ideia ou do trabalho mental e físico que implicou compilar os volumes daquela enciclopédia.

É um fosso que eu senti minimizado ao visualizar este filme, razão porque o estou aqui a divulgar. Neste século XXI, a fim de melhor compreendermos a actualidade e de lhe dar o devido valor, temos o dever de conhecer este detalhe desconhecido do séc. XIX.

Esta película, na sua essência, é ainda um filme sobre uma profunda amizade e sobre a empatia que se gerou entre dois seres especiais. Gostava de referir igualmente a presença de duas personagens femininas representadas por Jennifer Ehle e Natalie Dormer, ambas de enorme força, saber e sensibilidade, tendo em conta o papel da mulher naquela época.

Espero que o procurem num cinema e que o apreciem, sabendo que relata um episódio verídico da história do pensamento e das palavras que nos unem e que circulam neste mundo.

 

 

 

61!

 

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Nasci em plena Primavera, por sorte na época do ano que mais aprecio.

Faz hoje precisamente 61 anos que decidi começar esta aventura para além do útero materno. Nasci rodeada da bela paisagem alentejana, um selo de harmonia e de energias que gosto de acreditar ter marcado a minha sensibilidade ou a forma como a luz, o sol, o céu, a paisagem ou a natureza me tocam e são geradores de sentires muito próprios.

Esta será certamente uma visão algo romântica da questão, pois a realidade regista que deixei o Alentejo com pouco mais de seis meses… contudo, sendo o romantismo um pensar doce e que não faz mal a ninguém, esta sexagenária não resiste ao seu paladar!

Assim, voltando à ideia que as paisagens alentejanas oxigenaram os meus genes nesse período…a verdade é que a minha estrutura emocional se manifesta de uma forma muito vibrante quando encontro um prado na Primavera. Adoro prados! E o Alentejo onde nasci… é um mar de prados!

Se me perguntarem que flores mais gosto, só tenho uma resposta: as flores de um prado e um prado com flores! Sejam as pequenas e menos visíveis que o verde protege com cuidado e gratidão, ou as mais exuberantes que atraem o nosso olhar e chamam a atenção.

Um prado é a “maior democracia” que existe na natureza. É o equilíbrio puro, na sua forma mais espontânea. Todas as espécies têm o seu papel numa cooperação harmoniosa, a que o acaso pela mão dos quatro elementos – terra, ar, água e fogo/sol – criou para deleite da própria natureza e do nosso olhar.

Tudo está no local certo, em resultado de uma dinâmica perfeita. Mesmo que exista competição entre espécies, o que sabemos ser comum na natureza, o equilíbrio é genuíno e existe só por si.

A beleza do conjunto revela-se igualmente num olhar mais detalhado, mas hoje não vou por aí, não é importante. Talvez um dia partilhe essa visão. Nesta data, em que me sinto feliz e muito agradecida por completar mais um ano de Vida (não obstante as dificuldades que sempre vão surgindo), o prado é um símbolo a que dou enorme valor, seja pela capacidade de auto-regeneração anual, seja pela harmonia que transmite e que sempre procuro guardar e “cultivar”, ou ainda pela grande lição de respeito e de cooperação pacífica que dá ao mundo.

A imagem inicial é um detalhe de um belíssimo prado que recentemente encontrei num recanto da região onde resido. Senti-o como um pedaço de Vida, como uma oferta da Natureza…e como tal, ideal para partilhar neste dia!

 

 

dias de primavera

 

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São novas as energias que vagueiam na atmosfera!

Leve e docemente,
invadem os espaços tristes
que o inverno esqueceu no nosso corpo.

Suavemente,
afagam-nos a pele
amaciam as arestas dos dias frios
e a alma fica mais quente!

Como é bom espreguiçar a vida em dias de Primavera!

 

 

(Dulce Delgado, Maio 2019)

 

 

 

 

três anos!

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Discretamente, eu e o blog completamos hoje três anos de vida em comum.

Começamos um pouco a medo e algo inseguros, mas estes mil e noventa e cinco dias permitiram um crescimento mútuo e uma maior segurança em tudo o que foi publicado.

Hoje sinto ternura por esses período inicial, pela alegria dos primeiros likes recebidos, dos primeiros comentários e da tensão que me causava o carregar no botão de publicar. Ou ainda, as dificuldades que senti em lidar com alguns comentários iniciais, porque não queria responder apenas “obrigada”. O que eu sentia era bem mais do que essa simples palavra, mas não encontrava a forma certa de me exprimir.

Crescemos, creio que bastante, porque essa insegurança passou apesar de sempre tentar dar o meu melhor e manter o mesmo cuidado em tudo o que publico. Não sou apologista de facilitismos.

O meu desejo é manter esta relação enquanto isso me der prazer e ir partilhando o que a sensibilidade me oferece, mas igualmente o que o meu espírito algo inquieto sempre procura. E que por vezes encontra, mas na maioria das vezes não. Sendo esse ainda o sentir preciso de continuar esta busca nas diferentes áreas que me constroem. E sempre que possível acrescentar…

…outros poemas e desenhos aos muitos já publicados
…mais fotografias para além das cinco centenas já inseridas
…e novos posts aos 395 que o blog guarda nesta data!

Assim a Vida o permita!

E obviamente continuar a seguir outros espaços de autor, porque manter um blog é também estar presente no espaço dos outros e acompanhar o seu percurso. Afinal, para todos, isto é uma aventura.

Muito obrigada por me acompanharem!