olhar voador

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Por mim passou…

…e o meu olhar com ela voou!

No ar
rodopiaram,
e longe
bem longe
ela pousou…

…a borboleta,

porque o olhar,
feliz
e fascinado,
pelo vasto prado
se enamorou!

 

 

(Dulce Delgado, Maio 2018)

 

 

 

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esquinas…

 

b

 

Numa “esquina da rua”…

… procuramos orientação
… mudamos de direcção
… é fácil chocar com outro
… apanham-se sustos
… marcam-se encontros
… acontecem momentos inesperados
… cruzam-se olhares
… passa o efémero

 

Nas “esquinas da vida”…

… travamos
… equacionamos o percurso seguido
… sentimos medo de mudar
… estão as surpresas desagradáveis
… habitam os problemas
… repensamos situações
… tomamos decisões/opções
… mudamos de rumo
… resistimos
… lutamos
… somos corajosos
… saímos da zona de conforto

 

E nas “esquinas do céu”, um lugar que a imaginação concebeu:

… encontramos o receio de voar/viajar
… adormecem os sonhos
… perdemos a fé
… procuramos a contemplação
… caímos das nuvens
… esconde-se a vertigem
… divaga o olhar

…e, estou certa,

poderemos encontrar… duas nuvens a conversar!

 

 

(Dulce Delgado, Maio 2018)

 

 

e por vezes…

 

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… por muito positivos que sejamos, em certas circunstâncias é fácil que o cansaço se alie à imaginação e nos leve a construir “filmes” com um guião complexo, pesado e sem perspectiva.

Mas sendo a vida uma constante surpresa e perita em dar “voltas”, inesperadamente as circunstâncias podem mudar, as situações difíceis serem resolvidas sem dramas, e tudo ficar mais leve, nítido e clarificado.

Respira-se então com outro fôlego, renasce um novo olhar e, no silêncio da nossa mente, diremos novamente a nós próprios que…
… complicar realmente não ajuda nem resolve…
… da próxima vez a atitude será diferente…
… e que não vale a pena sofrer por antecipação…basta fazê-lo no “agora”!

Um dia…um dia aprenderemos isso!

Talvez.

 

 

dia da espiga

 

espiga

 

Segundo o calendário católico, quarenta dias após a Ressurreição de Cristo ocorre a festa da Ascensão, evento religioso que sempre sucede a uma quinta-feira. Este ano é a 10 de Maio, hoje portanto.

Por todo o país, mas especialmente a sul de Portugal onde o cultivo de cereais é mais abundante, este dia está associado ao Dia da Espiga, uma tradição que consiste na recolha de várias espécies vegetais e com elas compor um ramo que irá passar um ano pendurado atrás de uma porta, até ser substituído por um novo no ano seguinte.

Nesse período, ele protegerá a habitação de energias menos boas e chamará a abundância. A sua boa energia estará relacionada com o facto de ser recolhido no auge da Primavera, uma época de luz, cor e vitalidade, e que para além de marcar o início da época das colheitas está associada à fecundidade da terra. Nesse ramo…

…as espigas de cereal representam o pão; as papoilas vermelhas o amor e a vida; o ramo de oliveira, o azeite, a paz e a luz; os malquereres, o ouro e a prata, ou seja a riqueza; o alecrim, a saúde e a força; e o ramo de videira, o vinho e a alegria.

 

Neste dia, todos os anos regresso à infância. E recordo a imagem de minha mãe, mulher nascida a sul e aberta a tradições, a cumprir o ritual da apanha da espiga com as filhas a acompanhar. Depois o tempo passou, a vida mudou, as circunstâncias também e esse detalhe foi-se perdendo no tempo.

De vez em quando um ramo de espiga oferecido ou comprado (porque na cidade não existem prados…e as quintas-feiras são dias de trabalho!), entra serenamente em minha casa e aí se instala…até ser substituído por outro mais activo e com energias “actualizadas”.

Gosto destas tradições que ainda circulam na memória da vida e dos povos. Porque, se pensarmos um pouco mais nesta ideia de “unir” num ramo as energias que nos movem e que dão sabor à vida é algo de encantador. Manter este “microcosmos” literalmente pendurado na alma da nossa casa protegendo e energizando a nossa vida, poderá ser um absurdo para muitos ou visto apenas como algo do passado por outros….eu acho um acto delicioso, curioso e muito simbólico!

Termino com o link para a página de onde retirei a imagem acima e que descreve com algum detalhe outros aspectos associados a este dia e à forma como ele é vivido em várias regiões do país.

 

 

 

…60!

 

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Dançam as nuvens
as árvores
e um bando de pássaros…

O ar é o palco
A música é o vento
A valsa, o movimento
E o meu olhar, um abraço!

 

Este pequeno poema que escrevi algures na década de noventa, é um dos que mais aprecio.

De certa forma é um poema sem tempo, pois reencontro-me sempre que o leio, o que me leva a sentir que ele foi passado, é presente e será futuro. Essa intemporal-idade que me transmite é uma boa razão para o partilhar neste dia em que cumpro 60 anos de vida, seis décadas de imensos olhares e sentires, de dificuldades e vitórias, de muitas alegrias, mas igualmente da estranha sensação de que tudo passou rápido demais.

Sei que o tempo que me será oferecido será seguramente bem menor que o já vivido. Seja ele qual for, enquanto o puder fazer em consciência será para abraçar, para envolver com o olhar e partilhar em palavras, imagens ou desenhos, não só com os que estão fisicamente mais perto, mas igualmente com os outros que, através deste blog ou não, vão acompanhando o meu sentir nesta aventura que é a Vida.

Fá-lo-ei da melhor forma possível e sempre tentando descobrir/aprender algo de novo todos os dias, seja em mim, seja nos outros, seja no mundo onde me situo ou na natureza que me envolve. E depois partilhar isso. Porque a vida, mesmo com todas as dificuldades com que nos presenteia, não merece outra forma de estar.

Obrigada por estarem presentes nesta simbólica data da minha vida!

 

 

(Dulce Delgado, 7 Maio 2018)

 

 

 

instagram

 

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A necessidade de modernização tecnológica das novas gerações levaram-me a herdar há perto de dois anos um velhinho iPhone…e com ele um mundo totalmente novo, tendo em conta o telemóvel clássico e básico que então possuía.

Mais do que a sua óbvia utilidade em muitas situações práticas, com ele fui levada a descobrir a rede social de partilha de imagens Instagram e uma linguagem do olhar que ainda não tinha explorado de uma forma tão continuada.

Tem sido extremamente gratificante perceber como a nossa sensibilidade se pode tornar permeável ao que nos rodeia quando insistimos em traçar um caminho baseado na disponibilidade e na atenção. Abrimos-nos para o mundo e, reciprocamente, ele faz o mesmo, sendo muitos os detalhes envolventes que atraem o nosso olhar como um íman.

Como poderão verificar nas imagens que integram este post e que representam uma pequena amostra das já publicadas, aprecio uma linguagem simples, minimalista, em que predominam as linhas, a natureza, o detalhe e sempre algum espaço de respiração. Pontualmente a imagem é mais densa, mas terá certamente algo que lhe dará alguma fluidez, leveza ou transparência. Não uso filtros nem artifícios informáticos. Apenas o olhar servido ao natural! Quero ainda acrescentar que não sou uma instagramer fundamentalista, pois algumas das imagens foram obtidas com máquina fotográfica.

Discretamente convido-os a conhecer a dulce-em-pausa. Estou certa que será uma viagem tranquila!

 

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(Creio que quem não pertence a esta rede social de imagens, só poderá aceder ao link através de um computador).

 

 

 

sagres

 

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Elegante,
segue de velas ao vento
imponente
e sempre com algum encanto!

Desliza
suavemente
entre a neblina do céu
e o doce brilho do mar,
num horizonte que a leva
e sempre
a faz regressar.

É navio,
escola
e percorre o mundo a ensinar
a arte de marear…

…ver a Sagres a navegar,
lembra com emoção
a aventura
e a loucura
que levou este povo
ao outro lado do mar!

 

 

(Dulce Delgado, Abril 2018)