vamos plantar uma árvore?

 

IMG_1252

 

Perante os fogos que continuam a atingir a floresta portuguesa, muitos de nós já sentimos o desejo de colaborar na recuperação desses espaços, mas não sabemos exactamente como o fazer. Nesse sentido, e partindo do princípio que a plantação de espécies autóctones pode fazer toda a diferença no futuro da floresta, a Associação Nacional de Conservação da NaturezaQuercus, em parceria com os CTT – Correios de Portugal, SA e com o apoio do Programa Cidadania Activa, têm em curso pelo quarto ano consecutivo uma campanha de reflorestação que nos permite de uma forma simples e cómoda, contribuir para a plantação de uma ou mais árvores.

Para tal, basta ir a uma estação dos CTT e adquirir o kit Vale uma árvore  ou comprá-lo online (disponível apenas para cinco ou mais unidades). Por cada um vendido, a Quercus planta uma árvore em bosques, cujo desenvolvimento poderemos acompanhar durante cinco anos, bastando para isso registar no site da campanha o código incluído em cada kit.

Por apenas três euros, estamos a contribuir para algo de concreto e passamos das palavras à acção. Por esse valor, poderemos ainda oferecer uma prenda diferente a alguém que, por sua vez, pode sensibilizar outros de igual forma. Muitas árvores poderão assim ser plantadas e cuidadas por quem o sabe fazer.

O número de árvores oferecido à natureza em cada ano no âmbito desta campanha tem aumentado, mas é ainda muito pequeno num país em que a floresta precisa tanto de ajuda. Diria que Uma árvore pela floresta – Uma árvore vale muito, é uma excelente ideia…  mas pouco divulgada. Na verdade, os milhares de portugueses que diariamente se deslocam a uma estação dos CTT e que seriam potenciais “plantadores de árvores”, desconhecem-na por ausência de publicidade directa. Eu própria o verifiquei in loco, em três postos de atendimento na área de Lisboa, em que não havia absolutamente nada a referi-la.

Para além das árvores que entretanto ofereci à floresta, com este post estou a tentar dar uma ajuda na sua divulgação. Tenho esperança que até ao próximo dia 30 de Novembro, alguns dos meus leitores também colaborem e, quiçá, plantem finalmente a árvore da sua vida!

 

 

a procissão

 

a

 

Em Portugal, a primeira procissão do Corpo de Deus (Corpus Christi) decorreu em Lisboa em 1389, atingindo esta celebração o seu auge no séc. XVIII durante o reinado de D. João V. Nessa época incorporava as ordens religiosas, mas igualmente as militares e as corporações profissionais da cidade, reflectindo a organização do reino e, sobretudo, a grande importância da igreja e do rei.

No século seguinte houve um período em que não se realizou, mas foi posteriormente retomada ocorrendo a partir daí anualmente por ocasião do dia do Corpo de Deus, festa do calendário católico que se celebra na quinta-feira a seguir ao Pentecostes.

Desde sempre que o Município de Lisboa se empenhou nesta procissão, tradição que se mantém ainda hoje com a participação no cortejo das principais forças da autarquia.
Deixo aqui a história deste evento, sugerindo a sua leitura para melhor perceber a importância que teve na vida da cidade.

A recriação dessa procissão, através de 1587 miniaturas em barro não cozido, encontra-se actualmente exposta numa enorme vitrina da sala do capítulo do Convento da Graça, no bairro com o mesmo nome.
O autor de tal empreendimento foi o empresário e ceramista Diamantino Tojal (1897-1958), que as elaborou entre 1944 e 1948. Nessa época todo o conjunto esteve exposto no Palácio Galveias, o que não mais se repetiu até à actualidade.

Mais do que a qualidade ou pormenor das peças, esta exposição tem um notável valor documental, pois permite perceber a dimensão e a organização do cortejo. A cargo da imaginação de cada visitante ficará a visualização do que não está recriado, como a multidão que seguia na cauda da procissão ou as ruas completamente engalanadas por onde passava.

A sala onde se encontra esta mostra foi recentemente restaurada, tal como a portaria e um dos claustros do convento, espaços que podem ser visitados gratuitamente. De notar que as miniaturas apenas estarão expostas até ao próximo dia 1 de Outubro.

Também a zona envolvente ao Convento/Igreja da Graça foi requalificada, oferecendo agora mais zonas pedonais. Vale a pena dar uma volta pelo jardim, espreitar a vista do miradouro ou descansar na esplanada aí existente. O bairro da Graça tem muitos detalhes arquitectónicos interessantes, alguns relacionados com as vilas operárias que acolheu no início do século XX e que ainda preserva. Deambular por ele e pelas áreas circundantes, permite juntar o passado com a modernidade que nos é transmitida por algumas pinturas murais realizadas no âmbito da street art.

Termino com uma imagem da cidade obtida a partir do miradouro da Senhora do Monte, localizado a poucas centenas de metros do Convento da Graça. Na foto, este espreita à esquerda e olha para o Tejo e para o seu vizinho castelo, implantado numa colina adjacente.

 

IMG_1127a

 

 

…200!

 

As letras e os números, são símbolos que nos permitem comunicar.

Com as letras comunicamos ideias, sentimentos e emoções; com os números, damos ordem ao nosso mundo, gerimos economicamente os recursos que temos, organizamos os dias e contabilizamos a nossa existência, sendo certo que a duração desse tempo é um símbolo/incógnita que sempre desconheceremos.

Talvez por isso, gosto de ir aproveitando as possibilidades desses símbolos e com eles “sublinhando” os dias.

Por um lado, juntando as letras e construindo palavras e frases que permitem exprimir o que sinto; e por outro, dando uso aos números e com eles pontuando o tempo e os momentos que a Vida decidir que eu “mereço”. Talvez por isso aprecio agendas, almanaques e afins, gosto de lembrar datas e muito de festejar aniversários. E gosto de encontrar momentos que, não sendo importantes, passam a sê-lo dessa forma.

É exactamente isso que estou a fazer hoje.

Comemorei com alegria o centésimo post… comemorei com mais alegria o primeiro ano deste blog …e hoje comemoro com gratidão o ducentésimo post.

Porque não fazê-lo?

 

 

 

pirilampo mágico

 

IMG_9164

 

Dentro de alguns dias termina a campanha do Pirilampo Mágico 2017, este ano com o lema Queremos voar. Cada pirilampo que adquirimos é uma pequena ajuda, muitos são uma grande ajuda.

Este ano a campanha faz trinta anos, o que significa que já nasceram trinta pirilampos diferentes e coloridos, que andaram para aí a “fazer magia” com o objectivo de ajudar os que têm mais dificuldade em se integrar na sociedade.

Não tenho todos os Pirilampos Mágicos, mas tenho os suficientes para fazer esta imagem de família, sendo o da frente o herói de 2017.

Considerando desde sempre que esta campanha solidária é uma ideia luminosa e que os pequenos peluches são uma ternura, também este ano a refiro neste blog a fim de relembrar quem ainda não colaborou, que o pode fazer até ao próximo dia 28 de Maio.

Não custa nada…e é uma grande ajuda!

 

 

uma simples canção

 

 

Na minha infância e juventude, o dia em que ocorria o Festival da Eurovisão da Canção era um dia especial porque, naquela época, era um evento que se destacava talvez pela ausência de outros. Ainda recordo a maioria das canções que nos anos 60/70 representaram Portugal nesse festival, melodias que eu sempre achava especiais e que na minha perspectiva, mereciam sempre ganhar. Mas isso nunca aconteceu e em cada ano a frustração sentida transformava-se em esperança no ano seguinte.

Entretanto…a vida tomou outros rumos e interesses, e apenas muito pontualmente voltei a dar alguma atenção a esse evento. E quando o fazia era apenas para ver o nosso representante cantar, o que, diga-se na verdade, muito raramente me agradava. O festival cansava-me, porque tudo parecia igual, confuso, muito barulhento e com demasiados estímulos associados. Sem espaço para respirar. Por isso, se me perguntarem quem representou o nosso país nos últimos anos… sinceramente, não sei! Talvez seja triste, mas é a verdade.

Porém, depois de muitas décadas, ontem sentei-me no sofá a ver uma boa parte desse festival e, obviamente, também a nossa belíssima canção. E senti um pouco aquela sensação da infância, de achar que as nossa canção era muito bonita e que merecia ganhar. Naturalmente recuei no tempo, no entusiasmo e na esperança.

Esperança que começou a ser alimentada ao comparar a simplicidade da composição e da interpretação resultante da parceria dos irmãos Luísa e Salvador Sobral, com a confusão e o artificialismo dos restantes temas e performances a concurso. E especialmente, aquando dos primeiro doze pontos que recebemos logo no início da votação. E os doze seguintes e ainda os outros todos!

No final, Portugal ganhou! Fiquei tão contente! E que sensação estranha, porque inesperadamente se cumpriu aquele desejo de infância que tinha ficado latente, quase adormecido. Estou certa que muitos portugueses terão sentido algo de semelhante, pelo menos aqueles que nasceram entre os anos cinquenta e sessenta do século passado e que, tal como eu, viviam com grande sentimento este evento.

Cantada de uma forma muito peculiar e genuína, a canção fala de amor. Simplesmente de amor. E será a forma como este sentimento foi partilhado que convenceu as emoções de milhões de pessoas, os que percebem e os que não percebem de música. Como eu, que encaro esta arte de uma forma muito emocional, com o coração e nada por conhecimento teórico.

Estou quase certa que  esta canção marcará um ponto de viragem na qualidade deste evento. Deu para perceber de uma forma muito clara o que as pessoas querem e desejam. Talvez a partir daqui prevaleça o que marca a diferença pela qualidade e não pela quantidade de estímulos, pela confusão e aparato tecnológico e visual.

Mais uma vez podemos ser pioneiros neste mundo. Povo de um pequeno país, mas cheio de força e de garra. Que gosta de descobrir novos caminhos e mostrar novos horizontes como aconteceu à cinco séculos atrás, seja agora, quiçá, no campo da música de uma Europa que perdeu a sua personalidade, pelo menos neste tipo de eventos.

Gosto de alimentar esta ideia, mesmo que daqui a uns anos chegue à conclusão que me enganei e desista novamente de me sentar no sofá. Mas enquanto há vida há esperança, e esperança é algo que nunca me falta.

Por fim… é muito bom perceber que hoje todo o país está feliz com uma canção que fala de amor!

 

 

liberdade e insensibilidade

 

A Cadeia do Aljube, o Forte de Peniche ou as sedes em Lisboa, no Porto e em Coimbra da antiga polícia política PIDE-DGS, foram lugares de ausência de liberdade, de resistência, de violência física e psicológica, de tortura, sofrimento e morte.

Com a revolução ocorrida em 25 de Abril de 1974, faz hoje precisamente 43 anos, conquistamos uma democracia que permitiu a liberdade de acção, de informação e de expressão, e ainda a liquidação dessa repressiva polícia política. Os locais onde ela actuou tornaram-se espaços de difíceis memórias para os que lá estiveram e conseguiram resistir, e quase esquecidos para os que nunca neles entraram.

Entretanto passaram mais de quatro décadas.

Na sede do Porto foi instalado um Museu Militar;
A Cadeia do Aljube em Lisboa foi reconvertida em Museu do Aljube/Resistência e Liberdade;
E o Forte de Peniche, sabe-se agora que será adaptado para espaço museológico sobre a história da Resistência, ficando outra parte afecta a actividades relacionadas com o mar.

Porém…

… na sede de Coimbra funciona desde 2015 um hostel
… e na de Lisboa, a principal dessa macabra polícia, um condomínio de luxo

Talvez seja demasiada ingenuidade da minha parte pensar que a história e a memória deveriam ter mais força do que o lucro; ou que a actual “febre” de instalar hotéis e condomínios deveria ter algum prurido e rejeitar ambientes que acumularam tanta energia negativa e de sofrimento. Penso que isso seria básico e humano. Mas não foi.

Tenho muita dificuldade em entender isso. Em compreender como poderá alguém iniciar um negócio ou escolher viver num edifício onde pessoas foram torturadas e mortas durante anos e anos. No fundo, agir como se nada ali tivesse acontecido.

Sim, eu sei que isto é um ínfimo detalhe, nada mais do que isso. E talvez muito pouco para assinalar este dia tão importante para a história de Portugal e para a liberdade então conquistada. Mas, apesar de terem passado 43 anos, simbolicamente ele tem significado.

Porque revela falta de memória, de respeito e uma profunda insensibilidade.

 

 

pascoinhas

 

IMG_7014a

 

Hoje, uma semana depois da Páscoa, comemora-se o domingo de Pascoela.

Este último termo, de sonoridade bem mais suave e fluída que a palavra Páscoa, para os cristãos é uma espécie de prolongamento dessa data. Eu diria que é o último olhar desta época festiva antes da despedida…

Sempre que oiço esse termo, de imediato associo três palavras, cujo som encaixa perfeitamente: Páscoa, Pascoela e…Pascoinhas!

As Pascoinhas, cujo nome científico é Coronilla glauca, são uns arbustos que apreciam as zonas litorais do centro do país, especialmente os solos mais calcários. Mas aparecem noutros locais, pois são adaptáveis a qualquer recanto que as queira receber. Produzem coloridas flores amarelas e o seu nome advém do facto de atingirem o auge da floração na altura da Páscoa.

Porque são bonitas, alegres e formam belos arbustos, creio que relembrar as Pascoinhas, é uma colorida forma de nos despedirmos da Páscoa… e da Pascoela!

 

A fotografia acima foi obtida na Serra da Arrábida, perto do Convento com o mesmo nome.