ambiências matinais

 

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Lisboa e o Tejo viram hoje nascer o dia…

…entre nuvens e reflexos…

…entre cinzentos e azuis…

…e numa intranquila calmaria!

Estava lindo!

 

 

(Dulce Delgado,  Outubro 2019)

 

 

 

 

dois dias, duas imagens

 

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Se o nascer do sol é um instante que a orientação da minha casa sempre permite  acompanhar, já o seu ocaso apenas é visível nos dias mais curtos do ano.

Nos restantes, a presença de um alto edifício impede tal visão, pelo que a imaginação tem um papel importante no seu entendimento, que se baseia apenas na forma como o céu e as nuvens ficam iluminados.

Ontem, dia 11 de Abril, ao ir à janela ao fim do dia, senti que estava num filme de ficção científica ao me deparar com a imagem acima. Imediatamente visualizei uns seres gigantes e alongados olhando para a terra e aparentemente “congeminando” um forma de aproximação ao nosso planeta….

Fiquei encantada com a visão….e rindo de mim própria pela forma como a imaginação pode ser prolifera a criar cenários e histórias.

A máquina fotográfica registou de imediato o momento, bem diferente do observado no dia anterior, como poderão verificar no final deste post.

A diferença entre estas duas imagens é abismal e revela bem a diversidade de olhares que nos são oferecidos pela natureza quando estamos disponíveis para os encontrar.

Além disso, as rotinas de todos os dias ficam mais leves com estes detalhes a intervalar!

 

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Desejo que o fim-de-semana seja doce e vos proporcione bons momentos e muitas surpresas no olhar!

 

 

 

 

boas-vindas

 

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Os passageiros que nesta quarta-feira aterraram no aeroporto de Lisboa antes do nascer do sol, foram recebidos de uma forma singular.

A dispersão de nuvens pelo vento “derramou” numa faixa de céu e sobre os aviões que aí passavam um véu fluído de luz, minúsculas gotas de água e energia.

Seria apenas um banal fenómeno atmosférico resultante do interagir de alguns elementos da natureza, mas…..porque não o ver e sentir como algo especial, como uma espécie de graça, bênção, ou algo do género?

Ou como uma forma diferente de dar as boas-vindas e desejar uma boa estadia?

Ou um bom dia?

Ou…apenas uma boa aterragem…

Foram esses os pensamentos que nasceram do meu sentir perante tão magnífica visão.

E silenciosamente, tudo isso desejei aos desconhecidos daquele avião!

 

 

 

este dia…

 

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…que está prestes a terminar, assim nasceu na zona de Lisboa.

Por um lado apareceu com uma luz forte, profunda e um tanto mística; e por outro, com uma evidente componente de intranquilidade, transmitida pelas irrequietas nuvens.

Uma hora depois, o rio Tejo e as áreas da cidade a ele adjacentes estavam cobertos de um nevoeiro denso e de um frio penetrante, húmido e muito desagradável.

Esse sentir enevoado manteve-se uma boa parte do dia, talvez para nos preparar para a chuva prevista para amanhã, depois de muitos dias de céu azul, limpo e de um sol vivificante.

Esta alternância e sequência de estados e de humores é nossa também. É minha. É tua. É de todos e de tudo.

É a Natureza, tal e qual!

 

 

 

aquele lugar…

 

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Ao ultrapassar a realidade, a imaginação tem algo de mágico e de maravilhoso.
Sem esforço, nessa viagem tudo alcançamos, contornamos e criamos. Os olhos da mente elaboram planos, resolvem situações, alteram comportamentos e criam lugares… por vezes maravilhosos. Certamente que haverá por aí muita imaginação menos prosaica e mais destrutiva que a minha, mas tal não interessa para o tema.

Nos meus sessenta anos de olhares, muitos sobre o céu e as nuvens, foram imensos os momentos que me cativaram e alimentaram a imaginação. Mas nunca encontrara aquele lugar já imaginado, aquele lugar de linhas desenhadas e fluídas… misto de montanha e cidade…uma espécie de mundo paralelo habitado de horizontes e de infinito….

Encontrei esse lugar, recentemente, ao amanhecer.
Estava ali, à espera do meu olhar. Fiquei parada, vidrada e maravilhada. Registei o momento com emoção e depressa percebi a sua efemeridade, porque num dos extremos, o ritmo de dispersão das nuvens era evidente. Minutos depois tudo se alterou e desapareceu. Ele não estava ali só para mim, mas eu estava sensibilizada para o encontrar.

Há momentos na vida em que um detalhe faz toda a diferença.
Por vezes, circunstâncias diversas provocam uma quebra de energia e uma maior dificuldade em manter o habitual positivismo, sendo fácil surgir o sentimento de estarmos a “atraiçoar” a nossa verdadeira natureza. Um sentir um pouco absurdo, porque somos humanos e nada é linear nem igual nesta vida. Mas nesses momentos de maior fragilidade, essa mesma Vida é perita em nos “oferecer” momentos especiais, por vezes absurdos para os outros, mas muito simbólicos para nós. Como foi este, ou outros já ocorridos na minha vida.

Ele significou que…

… não há impossíveis
… não podemos desistir de acreditar/esperar/encontrar
… é importante manter o foco, um “horizonte”, mesmo que o caminho seja por vezes mais complexo
… na altura certa aparecerá algo que nos alerta/ estimula/ questiona e ajuda
… e que é fundamental manter-mo-nos atentos, seja com o olhar, seja com a alma!

Apenas dessa forma as energias que somos e as energias que nos cercam se poderão “alinhar” para nos mostrar de infinitas e estranhas formas aquilo que precisamos de entender/aceitar em determinado momento da nossa Vida.

 

Por vezes os relógios acordam-nos à hora certa…

 

 

 

pelo ar…

 

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Em voo
levada sou,
nas entranhas
de um ponto
viajante,
no azul
e no instante.

Aventuro o meu olhar…

…e pelo rarefeito ar
vejo que o mar
virou céu
com nuvens a decorar!

Enganou-se o meu olhar?
Será que o céu e o mar decidiram brincar?

E as nuvens…
… gostarão elas de estar
abaixo do humano olhar?

Talvez sim…
talvez não…

Mas,
melhor do que eu estarão
neste meu divagar,
nascido para passar o tempo
e sempre,
sempre pensar…
…que já falta pouco para aterrar!

 

 

(Dulce Delgado, Junho 2018)

 

 

 

 

esquinas…

 

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Numa “esquina da rua”…

… procuramos orientação
… mudamos de direcção
… é fácil chocar com outro
… apanham-se sustos
… marcam-se encontros
… acontecem momentos inesperados
… cruzam-se olhares
… passa o efémero

 

Nas “esquinas da vida”…

… travamos
… equacionamos o percurso seguido
… sentimos medo de mudar
… estão as surpresas desagradáveis
… habitam os problemas
… repensamos situações
… tomamos decisões/opções
… mudamos de rumo
… resistimos
… lutamos
… somos corajosos
… saímos da zona de conforto

 

E nas “esquinas do céu”, um lugar que a imaginação concebeu:

… encontramos o receio de voar/viajar
… adormecem os sonhos
… perdemos a fé
… procuramos a contemplação
… caímos das nuvens
… esconde-se a vertigem
… divaga o olhar

…e, estou certa,

poderemos encontrar… duas nuvens a conversar!

 

 

(Dulce Delgado, Maio 2018)