pensamento ao vento

IMG_3761a

 

O vento
levou-me um pensamento…

…que logo procurei
no instante de um olhar.

Um pedaço
voava no céu,
outro nadava no mar.

Tentei resgatá-los
no tempo de um respirar,
na esperança de os unir
e o pensamento voltar.

Impossível.

Com o original partido
e no éter meio perdido…
…logo outro me veio habitar!

 

(Dulce Delgado…no Dia Mundial do Vento!)

 

 

Advertisements

ligações afectivas

 

IMG_4950ab

 

Em Setembro de 2016  partilhei um post sobre o almanaque Borda d’Água, folheto anual publicado em Portugal pela Editorial Minerva. Ele nasceu dois anos depois da editora e transmite um saber simples, ligado à terra e à agricultura, ao céu, aos astros e às estações do ano, à história, ao mundo cristão e ainda à cultura popular.

Amiúde o meu olhar passa sobre a folha do mês em curso a fim de saber algo mais sobre a “história” e acontecimentos do dia. Hoje porém, ao verificar que a editora que o publica nasceu a 2 de Junho de 1927, o que significa que completa 92 anos de vida, associei de imediato esse evento à minha progenitora e à idade que ela teria se estivesse viva, uma vez que nasceu nesse mesmo ano. 

A minha mãe tinha o saber adquirido enquanto estudante, mas guardava um saber bem maior, mais popular e fruto da simplicidade do meio em que nasceu e cresceu. Como apreciadora da natureza em todas as suas versões, sabia identificar a maioria das flores e de muitas plantas, saber talvez aprendido com o seu pai (e meu avô), um homem que sempre teve uma pequena horta ou um jardim para cultivar e zelar.

Minha mãe também entendia a meteorologia de uma forma muito empírica mas assertiva. Se o vento estava assim… tinha um significado; se estava de além…implicava outra coisa; se as nuvens apareciam naquele lado ou se a lua tomava determinado aspecto, era outra coisa qualquer;  e assim por diante. E naturalmente associava ao seu próprio conhecimento saberes populares e provérbios que depois partilhava nas mais diversas situações.

Hoje percebi que o meu gesto quase diário de deitar o olhar sobre este almanaque que a Editorial Minerva insiste heroicamente em publicar num tempo em que o “saber” se adquire pela internet é, de certa modo, um olhar sobre as raízes que me deram origem, e talvez, uma forma inconsciente de encontrar um pouco da minha mãe, da sua sensibilidade e de uma sabedoria que muito me encantava e que tantas vezes me levou a pensar “como é que ela sabe estas coisas todas?”

Um olhar ternurento sobre ela e o passado, leva-me sempre a senti-la como alguém muito especial… mas igualmente como um pequeno “almanaque humano”, uma espécie de Borda d’Água com coração!

Neste dia, longa vida à Editorial Minerva e ao seu delicioso Borda d’Água!

 

 

 

paixão

 

IMG_2882

 

A chuva caiu sofregamente
sobre a cidade,
apareceu com ternura
molhou com carícia
foi provocação
depois paixão,
louca paixão…

Num acto arrebatador e único
penetrou-lhe em todos os poros
pormenores
cantos e recantos,
e ávida correu nas ruas
onde loucamente todos se molhavam
corriam
e nada percebiam.

No céu,
relâmpagos e trovões
tornavam tudo mais sensual
forte e excitante…
…num momento único!

No meio daquela loucura molhada
e de paixão tão arrebatadora
parei,
sorri,
e senti-me quase feliz…

…que mais poderia eu fazer senão compartilhar?

 

(Dulce Delgado, Abril 2019)

 

 

 

no céu…

 

IMG_6545a

 

…aviões de giz
riscam aleatoriamente o azul dos dias,
por rotas que a mente desconhece
mas o olhar aprecia!

Nessas linhas, é fácil imaginar histórias…

 

IMG_3023
Mãe, onde vamos?

 

IMG_6332
Não há duas sem três!

 

IMG_4444a
Em breve estarei nas nuvens…

 

IMG_3016
Ponto de fuga…

 

IMG_1165
No céu também há curvas!

 

IMG_2100
Foge nuvem, foge!

 

IMG_3014
Uma estrada no céu…..terá portagens?

 

IMG_3164
A origem!

 

Com céu em tons de azul (ou em qualquer outro tom)… desejo um excelente fim-de-semana!

 

 

(Dulce Delgado, Março 2019)

 

 

 

 

aquele lugar…

 

IMG_1026ab

 

Ao ultrapassar a realidade, a imaginação tem algo de mágico e de maravilhoso.
Sem esforço, nessa viagem tudo alcançamos, contornamos e criamos. Os olhos da mente elaboram planos, resolvem situações, alteram comportamentos e criam lugares… por vezes maravilhosos. Certamente que haverá por aí muita imaginação menos prosaica e mais destrutiva que a minha, mas tal não interessa para o tema.

Nos meus sessenta anos de olhares, muitos sobre o céu e as nuvens, foram imensos os momentos que me cativaram e alimentaram a imaginação. Mas nunca encontrara aquele lugar já imaginado, aquele lugar de linhas desenhadas e fluídas… misto de montanha e cidade…uma espécie de mundo paralelo habitado de horizontes e de infinito….

Encontrei esse lugar, recentemente, ao amanhecer.
Estava ali, à espera do meu olhar. Fiquei parada, vidrada e maravilhada. Registei o momento com emoção e depressa percebi a sua efemeridade, porque num dos extremos, o ritmo de dispersão das nuvens era evidente. Minutos depois tudo se alterou e desapareceu. Ele não estava ali só para mim, mas eu estava sensibilizada para o encontrar.

Há momentos na vida em que um detalhe faz toda a diferença.
Por vezes, circunstâncias diversas provocam uma quebra de energia e uma maior dificuldade em manter o habitual positivismo, sendo fácil surgir o sentimento de estarmos a “atraiçoar” a nossa verdadeira natureza. Um sentir um pouco absurdo, porque somos humanos e nada é linear nem igual nesta vida. Mas nesses momentos de maior fragilidade, essa mesma Vida é perita em nos “oferecer” momentos especiais, por vezes absurdos para os outros, mas muito simbólicos para nós. Como foi este, ou outros já ocorridos na minha vida.

Ele significou que…

… não há impossíveis
… não podemos desistir de acreditar/esperar/encontrar
… é importante manter o foco, um “horizonte”, mesmo que o caminho seja por vezes mais complexo
… na altura certa aparecerá algo que nos alerta/ estimula/ questiona e ajuda
… e que é fundamental manter-mo-nos atentos, seja com o olhar, seja com a alma!

Apenas dessa forma as energias que somos e as energias que nos cercam se poderão “alinhar” para nos mostrar de infinitas e estranhas formas aquilo que precisamos de entender/aceitar em determinado momento da nossa Vida.

 

Por vezes os relógios acordam-nos à hora certa…