duna da crismina

Quando imagens dolorosas e sentimentos de revolta nos habitam em virtude da actual situação do mundo, instala-se uma inquietação que interfere com a nossa sensibilidade, dinâmica, ritmos de sono, etc, etc,. No sentido de tentar equilibrar e até de “distrair” tanta inquietação, é urgente recorrer ao que nos possa dar alguma paz interior. Nesse rol de possibilidades, a natureza sempre foi para mim uma fonte de paz, porque nela encontro um saudável respirar e olhares de encantar.

Muito recentemente tentamos esquecer o mundo por algumas horas fazendo um passeio pela Duna da Crismina, um espaço localizado no Parque Natural de Sintra-Cascais com características e dinâmicas muito próprias e que pode ser percorrido através de passadiços aí instalados há alguns anos.

Toda a área costeira a norte do farol da Guia intervém na dinâmica deste sistema dunar e abrange zonas arenosas, rochosas e praias, sendo as praias do Guincho e da Crismina as mais activas em todo este processo. Nessa linha de costa também se insere o Cabo Raso, área que percorremos antes de entrar no perímetro da Duna da Crismina propriamente dito.

Penetramos na duna pela entrada norte a fim de percorrer todos os passadiços em madeira aí existentes. Estes tanto atravessam áreas com rara vegetação como outras bastante arborizadas, predominando nestas ultimas o pinheiro.

Envolvia-nos um dia de inverno demasiado tranquilo e primaveril, o que tem sido comum em Portugal e uma verdadeira fonte de preocupação para todos nós devido à seca extrema daí resultante e já instalada em todo o território.

No céu, uma diversidade de olhares. Mas à medida que as horas iam passando, algumas nuvens foram dispersando, algo muito comum em toda aquela região próxima da Serra de Sintra.

O que mais gosto e o que mais me tranquiliza neste tipo de paisagem são os detalhes que salpicam a paisagem de beleza especialmente em áreas onde a vegetação escasseia e que geralmente coincidem com as de maior mobilidade da duna.

Esta tranquilidade natural acalmou um pouco a minha intranquilidade. Bastante menos do que eu desejaria, é certo, mas nos tempos que correm tudo o que nos anime, por pouco que seja, é muito bem-vindo.

fim de dia…

A segunda-feira é aquele dia em que ainda estamos dessincronizados com a semana. Geralmente é sentido como o mais longo e o que desejamos que passe mais depressa…especialmente quando estamos nas quatro décadas de profissão… já existe um cansaço natural….e uma grande vontade que não haja estes dias!

Hoje, de regresso a casa e já mais “liberta” da energia de segunda-feira, ao ver que o céu estava lindo fui até à praia de Algés a fim de apreciar a envolvência e obviamente, registar o momento.

Perante este espetáculo, respirei fundo… bem fundo…e pensei: bendita segunda-feira por me proporcionares este momento e me permitires apaziguar o que sinto por ti!

Regressei a casa feliz e certa que amanhã, terça-feira, já será um bom dia!

hoje, em fim de dia….

….não resisti a parar na praia de Algés e a registar o dinamismo das nuvens num céu em “desvario”. Sob ele, pelo contrário, o rio Tejo corria muito tranquilo, apreciando o espetáculo e reflectindo o que via.

Depois de um dia de trabalho é importante sabermos parar…respirar…e agarrar aqueles momentos que não fazem parte da rotina.

Este soube muito bem!

de volta!

Em dia de regresso…

…começo por agradecer os muitos comentários deixados no ultimo post desejando-me boas férias e a que não dei resposta. O compromisso que fiz de me afastar duas semanas deste espaço foi literalmente cumprido, sendo certo que é importante distanciarmo-nos um pouco do que nos “prende” pois sempre voltamos com um olhar mais atento e renovado.

Agradecer faz parte dos meus dias, muitas das vezes em silêncio e centrada em pequenos detalhes. Hoje porém, para além do agradecimento inicial, também em palavras escritas eu gostaria de…

…agradecer o facto de tudo ter corrido sem precalços nestas duas ultimas semanas;

…agradecer os belíssimos dias de praia e de sol que aqueceram o corpo e aquietaram a alma;

…agradecer ao vento pelos dias em que decidiu soprar sem exagero do quadrante sueste e assim aquecer a água do mar algarvio como tão bem sabe fazer;

…agradecer ao mar não ter exagerado nas ondas e permitido deliciosos banhos entre o tranquilo e o activo;

…agradecer ao céu o seu belíssimo azul…e às nuvens, por não terem aparecido durante toda a semana de praia…mas apenas após esse período!

…agradecer à natureza alguns agradáveis passeios, assim como a possibilidade de observar e fotografar bastantes aves… apesar de Julho e Agosto serem os piores meses do ano para o fazer!

E por último…

…agradecer o facto de ter saúde e condições para poder desfrutar destes períodos fora de casa e das rotinas habituais… e em que os relógios, as notícias e a pandemia quase foram esquecidos!

…e por ter a meu lado um companheiro em doce sintonia na partilha de todos estes agradáveis momentos!

(E já agora agradeço o estarem a ler isto… e a me acompanharem novamente!🙂)

verão

Olho amiúde para o céu….sol….lua…ou estrelas que este meu olhar abarca….e ainda para este chão que me recebe e onde me agarro por umas raízes invisíveis e penso:

Como pode esta “bola gigante” – e ainda por cima ligeiramente achatada e inclinada – que roda sobre si a 460 m/segundo (na zona do equador) e circula em volta do sol a uns incompreensíveis 30 Kms/segundo……não perder o “tino” e a orientação e, com uma precisão impressionante permitir calcular os fenómenos/ciclos daí resultantes e que se repetem dia-a-dia, mês-a-mês, ano-a-ano…

…como o nascer e o pôr-do-sol … os eclipses… ou as estações do ano…

Foi precisamente às 04h 32m da madrugada de hoje que começou mais um Verão neste hemisfério norte onde estão as minhas virtuais raízes. Significa que esta metade do planeta terá o seu dia mais longo, que vai receber mais intensamente os raios solares e que naturalmente iremos adaptar os nossos dias e o nosso corpo a essa circunstância. Assim como a nossa mente, que logo desliga um pouco da rotina e entra de certa forma em “tempo de férias” e de vontade de descanso.

Somos simultaneamente assistentes e participantes desta harmonia/sintonia do Universo, algo pouco consciencializado pela maioria de nós na rotina dos dias, mas algo imenso e quase mágico que, só por si, deveria ser suficiente para que o termo ”respeito” estivesse na base de todas as nossas atitudes e decisões.

E neste respeito incluo o que deveremos ter com esta “bola gigante” em todas as vertentes com ela relacionadas….mas igualmente o respeito entre nós, humanidade que a habita, porque realmente não somos mais do que uma ténue “poeira” espalhada sobre ela.

Essa é uma verdade que esquecemos vezes demais.

A todos, neste dia de solstício, desejo o melhor Verão (ou o melhor Inverno)!