obrigada!

 

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Como flui o tempo….em tempo de férias!

Agora que esse período terminou e o trabalho, as responsabilidades e este espaço me esperam, verifico que foram muitos os que comentaram o último post que publiquei a fim de me desejarem um bom descanso.

Considerando que não gosto de deixar comentários sem resposta e que não tem sentido estar a responder individualmente passados tantos dias, faço-o através destas palavras… escritas por umas mãos bastante escurecidas pelo sol… sob um olhar em que ainda não se dissipou um agradável filtro em tons de céu, mar e amplos horizontes… e por uma mente que, neste momento, ainda não lhe apetece voltar à realidade e ao dia-a-dia…

É com esta verdade que agradeço os vossos comentários, certa que em breve partilharei convosco um pouco do meu olhar/sentir sobre os lugares que me receberam.

Muito obrigada a todos!

 

 

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colorindo lisboa

 

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Lisboa ameniza o cinzento e a inconstância desta estranha Primavera com a beleza dos jacarandás que recentemente iniciaram a floração, como um relógio da natureza que marca o tempo no colorido da cidade.

Em muitos recantos o seu lilás abraça o céu e as nuvens, noutros encosta-se aos edifícios ou delicia-se a pintar os passeios e as estradas com as flores já caídas, atraindo docemente o nosso olhar……olhar que espera que o sol apareça sem filtros e puro, para saturar as cores, contrastar a cidade e permitir apreciar esta época de uma forma mais viva e límpida.

A cor dos silenciosos jacarandás pontua e acompanha a energia e a confusão das festas da cidade e dos santos populares que agora se vive. E pontua a nossa! Afinal o reaparecimento deste lilás também significa mais um ano no livro da nossa história, no nosso corpo e nas emoções que nele vibram. E indica que a Primavera está prestes a terminar….e que brevemente outro Verão aparecerá no calendário.

Pela minha parte….

…para o ano aqui estarei mais uma vez para partilhar a minha satisfação pela sua presença nos meandros da cidade e, obviamente, nos caminhos do meu olhar!

 

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pelo ar…

 

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Em voo
levada sou,
nas entranhas
de um ponto
viajante,
no azul
e no instante.

Aventuro o meu olhar…

…e pelo rarefeito ar
vejo que o mar
virou céu
com nuvens a decorar!

Enganou-se o meu olhar?
Será que o céu e o mar decidiram brincar?

E as nuvens…
… gostarão elas de estar
abaixo do humano olhar?

Talvez sim…
talvez não…

Mas,
melhor do que eu estarão
neste meu divagar,
nascido para passar o tempo
e sempre,
sempre pensar…
…que já falta pouco para aterrar!

 

 

(Dulce Delgado, Junho 2018)

 

 

 

 

esquinas…

 

b

 

Numa “esquina da rua”…

… procuramos orientação
… mudamos de direcção
… é fácil chocar com outro
… apanham-se sustos
… marcam-se encontros
… acontecem momentos inesperados
… cruzam-se olhares
… passa o efémero

 

Nas “esquinas da vida”…

… travamos
… equacionamos o percurso seguido
… sentimos medo de mudar
… estão as surpresas desagradáveis
… habitam os problemas
… repensamos situações
… tomamos decisões/opções
… mudamos de rumo
… resistimos
… lutamos
… somos corajosos
… saímos da zona de conforto

 

E nas “esquinas do céu”, um lugar que a imaginação concebeu:

… encontramos o receio de voar/viajar
… adormecem os sonhos
… perdemos a fé
… procuramos a contemplação
… caímos das nuvens
… esconde-se a vertigem
… divaga o olhar

…e, estou certa,

poderemos encontrar… duas nuvens a conversar!

 

 

(Dulce Delgado, Maio 2018)

 

 

fogo e água

 

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O dia nasceu fogo na região de Lisboa. Nasceu vibrante, esmagador e pousou esta imagem no meu olhar, que agora deixo a repousar neste post .

Mas a água “controla” o fogo, mesmo no céu. Em pouco tempo, as nuvens muito cinzentas tudo cobriram e a chuva, por vezes intensa, continuou a cumprir maravilhosamente o popular ditado Em Abril águas mil.

Entre água e fogo chegará o fim-de-semana. E assim permanecerá, para alimentar todos os gostos e partilhar connosco o seu descanso.

Que seja um tempo tranquilo!

 

 

 

 

a chuva…

 

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… finalmente chegou e instalou-se nos nossos dias. Dizem os especialistas que ficará ainda por algum tempo… para já, talvez uma semana ou um pouco mais… o que é muito pouco, sabemos; contudo, pode ser que prolongue a sua estadia: afinal, há muito que não era tão bem recebida por todos nós!

Com ela, regressaram imagens e sensações já um pouco esquecidas…

… a tranquilidade que sinto ao vê-la escorregar suavemente nos vidros da janela… gota aqui… gota ali…;

… como é bom estar neste lado, no lado do aconchego, a observar a sua dança selvagem com um vento que de vez em quando sopra furioso e destemido;

… quão agradável é estar protegida no interior de um carro em andamento (com alguém que o guie por mim, obviamente!), enquanto observo e fotografo os efeitos da chuva nos vidros e as imagens deformadas que eles oferecem;

… o arejamento que permitem as “janelas” de céu muito azul que de vez em quando rasgam as nuvens cinzentas em tempo de chuva, como se fosse a própria terra que necessitasse urgentemente de respirar através delas;

… gosto dos momentos em que o sol e a chuva se juntam e, de imediato, passa em “rodapé” no meu pensamento aquele provérbio que sempre dizíamos em crianças em situação semelhante “A chover e a fazer sol, estão as bruxas a comer pão mole”;

… agrada-me a ideia que durante uma chuvada e depois de tanto tempo de secura, existe um “sentimento” de alegria na terra/substrato e nas plantas que nela crescem. E de imaginar que o mostram da única forma que a natureza lhes permite, ou seja, a terra emanando o seu cheiro e as plantas abanando ao vento!

… como sabe bem respirar a “limpeza e a frescura” do ar depois de uma boa chuvada! Ou ainda, como os olhos gostam das cores brilhantes e saturadas pela água da chuva, que aqui e ali faz nascer poças que espelham o céu e o deixam naturalmente penetrar na intimidade da terra;

… e por último…

… a chuva desperta a “meteorologista” escondida que existe em mim! Graças às tecnologias actuais e às imagens via satélite disponibilizadas no site do IPMA, gosto de acompanhar as movimentações e a intensidade das manchas nebulosas que passeiam pela atmosfera. E ir comparando essa evolução com a chuva real que a natureza nos presenteia.

 

Esta, é a versão prosaica da chuva, a que me apetece escrever hoje.

A outra…ficará para um próximo post!

 

 

 

sentir… pensar…

 

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As horas de luz crescem a olhos vistos neste Inverno já maduro.
O tempo frio alterna com o primaveril, tal como nuvens mais ou menos cinzentas e densas vão coabitando com o céu azul.

Alguma chuva tem caído no norte do país e alimentado a terra e as barragens, situação que aconteceu muito esporadicamente no centro e no sul, onde a natureza continua afogada em secura. Apesar da pequena dimensão do país na globalidade do planeta, a distinção entre norte e sul é notória em imensos aspectos. E no clima também, para desespero de todos aqueles que precisam urgentemente que a chuva caia e prepare os terrenos para as novas sementeiras.

Se por um lado apetece sentir na pele os dias primaveris e soalheiros, por outro a sua presença é dolorosa, porque sabemos o que tal pode significar na dinâmica deste nosso solo pátrio. E em nós, que o habitamos.

Como em muitos momentos e situações da nossa vida, estamos perante o querer e o não querer, perante a emoção que pende para um lado e a racionalidade que pende para o outro.

Que fazer? Sentir… ou pensar?

Sentir o prazer do sol… talvez “culpabilizando-nos” por o estarmos a fazer?

Ou pensar…negando a vontade de o sentir e “acalmando” os problemas de consciência?