vida(s)

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Envolto em pensamentos
e ao som da respiração,
bate o coração,
lento
louco
irreverente
ou cheio de emoção.

A esse pulsar
chamamos vida,
misto de células e de energia
que um rio,
vermelho e sem foz,
alimenta com sabedoria.

Um dia,
pára o rio e o coração,
terminando essa magia
na última expiração
de um corpo,
sem vida nem reacção.

Fica a energia,
talvez a alma,
talvez  o espírito…
algo que desconheço,
mas sinto
e acredito!

Passará um tempo,
transitório,
lento
e sem memória,
até chegar a hora
da energia e da magia
iniciarem outro ciclo
e escrever uma nova história.

Novo corpo
outro coração
e outro rio…

Uma primeira inspiração
faz nascer um novo ser,
que na vida irá escolher
e aprender,
com o bem e o mal
a vitória e a derrota
o amor e a dor
o dar e o receber
o medo
o sofrimento
o arrependimento
a partilha
a paz
a felicidade
e sempre
mas sempre com a verdade!

Não,
a Vida não pode ser
apenas um único Viver!

 

(Dulce Delgado, Fevereiro 2017)

 

 

 

purificar

 

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Entre o nascer e o partir
absorvemos a vida,
como esponjas de um tempo
saboreado,
sofrido,
mas sempre vivido.

Por vezes
sentimos
que não há espaço para mais,
apetecendo depurar o corpo
purificar a alma,
retirar o que não interessa
e guardar
apenas a essência.

Então,
limpos por dentro e por fora,
voltaríamos a nascer para a vida
e para o mundo,
vivendo o aqui
e o agora,
em cada segundo
em cada minuto
e em cada hora!

 

(Dulce Delgado, Fevereiro 2017)

 

cuidar

 

pantufas

 

Agora que o frio chegou, o corpo agradece o aconchego, sendo muito agradável sentir os pés quentes e confortáveis.

Os pés são uma fantástica e complexa estrutura a que normalmente não damos muita atenção. Eles são pacientes e muito perseverantes, aguentando os milhões e milhões de passadas de uma vida, suportando o nosso peso e as cargas que transportamos e, muitas vezes, sendo ainda violentados em nome da moda.

Tão importante como isso, é o facto de serem o nosso ponto de contacto com a terra e com as suas energias o que, só por si, é uma razão mais do que suficiente para merecerem uma atenção muito especial.

Assim, é bom de vez em quando olharmos para eles de uma forma diferente, dar-lhes o devido valor, mimá-los e tratá-los melhor do que o habitual, proporcionando-lhes conscientemente uns momentos de conforto e de relaxamento. Em suma, mantê-los saudáveis e sentirmo-nos gratos por isso!

O desenho… é apenas uma forma pessoal de mostrar essa gratidão!

 

 

ioga III

 

“Lá fora, espera-nos o mundo. …”

Foi desta forma que terminei a última abordagem sobre este tema (ioga II – 15/06/2016), em que descrevi os diferentes momentos de uma aula de ioga. Dando continuidade a estas palavras…

…mas o nosso olhar sobre o mundo após uma aula de ioga é diferente daquele que ficou no exterior antes do seu início. Essa diferença estará na forma como nos sentimos porque, de uma forma geral, o exterior não mudou muito nessa hora. Nós é que mudamos, o que é sentido física e mentalmente através de uma sensação de leveza e de limpeza. Mas como?

A realidade do mundo actual e a dureza do dia-a-dia tem impacto na nossa estrutura. Problemas de vária ordem associados a más posturas, acumulam muitas tensões no nosso corpo, especialmente na zona cervical e parte superior do tronco,  aquela que sustenta os “pesos” da cabeça. É uma área normalmente tensa e dolorosa e, por isso mesmo, a que melhor reflecte os efeitos dos exercícios realizados. Mas também as restantes zonas do corpo estão diferentes, mais flexíveis e saudáveis. Mexemos-mos melhor e, regra geral, todas as áreas anteriormente mais tensas perderam o protagonismo que tinham. Sentimo-nos equilibrados e muito bem na nossa pele e no nosso corpo. Essa sensação deriva igualmente de uma maior oxigenação a que foram sujeitas todas as estruturas/orgãos que nos constituem.

Mas não é apenas o corpo que está mais feliz e leve. Sair da porta e ter a sensação que estamos em paz com o mundo, é real. Acontece muitas vezes. Tudo está mais bonito, como se um véu de tranquilidade tivesse descido sobre o mundo. Mesmo se o exterior estiver com chuva, vento ou muito frio! Naqueles primeiros momentos, o mundo é um lugar melhor, um lugar de paz. E nós fazemos parte desse lugar, somos esse lugar, somos essa paz. As energias que em nós circulam expeliram o que de mais negativo nos ocupava. Tudo parece estar no sítio certo. Fazendo uma analogia informática, houve um “reset energético”, um reiniciar, que nos deixou renovados e mais harmoniosos.

O processo que se segue, ou seja, a readaptação à realidade, dependerá muito da vida de cada um. Mas a forma como isso vai acontecendo ao longo do tempo está, sem sombra de dúvida, relacionada com a prática continuada da actividade. Mas sobre isto falarei numa próxima oportunidade.