dias de primavera

 

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São novas as energias que vagueiam na atmosfera!

Leve e docemente,
invadem os espaços tristes
que o inverno esqueceu no nosso corpo.

Suavemente,
afagam-nos a pele
amaciam as arestas dos dias frios
e a alma fica mais quente!

Como é bom espreguiçar a vida em dias de Primavera!

 

 

(Dulce Delgado, Maio 2019)

 

 

 

 

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doce páscoa

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Num mundo em estranha turbulência, o calendário cristão é pontuado por mais uma Páscoa e pela religiosidade a ela associada.

Mais do que a fé de cada um, é um tempo de boas energias porque as famílias se juntam na partilha de afectos, de novidades, de muitas iguarias e de uma doce disponibilidade.

No entanto, em muitas não é assim. Há famílias que são complexas como o mundo, em que há jogos de interesses, oportunismos e invejas, especialmente quando existem bens materiais em causa. Ou egoísmos que precisam de muito alimento.

Seja qual for o registo familiar em que nos integramos, tentemos favorecer a coesão e a partilha. Com ou sem religião associada. Apenas a partilha de algo genuíno, de uma boa energia que possa sair de nós na direcção dos outros e ser bem recebida, apesar das diferenças que sempre nos separam.

É isso que farei no meu pequeno e tranquilo circulo familiar!

E desejo o mesmo a todos vós!

Boa Páscoa!

 

 

 

prazer em conhecer!

 

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Hoje partilho convosco a magnífica energia do sobreiro assobiador de Águas de Moura (Palmela, Setúbal), espécie que detém o título de Árvore Europeia de 2018 e que recentemente tive o prazer de conhecer.

Junto a este majestoso exemplar senti-mo-nos pequenos mas protegidos, e actores vivos de uma história que vem do passado e que a natureza continuará a escrever para além de nossa existência física. A imagem não revela esse feliz sentir perante a sua grandiosidade, mas garanto-vos que estava em nós.

Esta é, sem dúvida, uma árvore especial.

 

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Contudo, são imensas as espécies arbóreas que estão no nosso caminho à espera de um olhar atento e cuidadoso, sejam exemplares mais ou menos bonitos ou de grande ou pequeno porte. Com um pouco de atenção encontraremos sempre algo de cativante numa árvore, seja no tronco, nas ramagens, na folha, na flor, ou no fruto/semente.

Com este olhar sobre a natureza, desejo a todos um excelente fim-de-semana!

 

 

 

 

 

árvore-poesia

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Poesia…

…uma árvore plantada
na sensibilidade dos dias,
nascida da energia
boa ou dorida
dos afectos
e da vida.

O tronco,
será a Ideia nascida da semente
e amadurecida nas raízes…

Os ramos,
os caminhos a trilhar pelas palavras
na expressão do seu sentir…

E as folhas,
os detalhes que diferenciam
cada árvore-poesia,
pedaços de alma
que lhe dão força e energia!

 

Ao dia da Árvore, da Poesia e da Criatividade

 

(Dulce Delgado, 21 Março 2019)

 

 

 

 

olá primavera!

 

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Folheia hoje a Natureza mais uma página do tempo com a chegada da Primavera.

Curiosa, em vários momentos esta estação já espreitou pelas frestas dos dias e aqueceu demasiado o nosso sentir. O inverno não aceitou bem essa intromissão e esfriou marcadamente as noites das últimas semanas, efeito sentido com amplitudes térmicas diárias que chegaram aos 15 graus, algo dificilmente aceite pelo nosso organismo.

Hoje, finalmente, às 21h 58 m, uma Primavera confiante do seu poder e força abriu a porta do tempo e disse silenciosamente “Estou aqui, cheguei!”

Não sei como o Inverno vai aceitar a sua vinda e os ajustes entre ambos serão certamente por nós sentidos com aceitação ou incompreensão. A Natureza tem humores, mas também discernimento para actuar da forma necessária a partir das premissas e condições a que está exposta, e dos desequilíbrios que nós humanos lhe vamos proporcionando. Infelizmente e da pior forma, diga-se.

Que seja uma doce Primavera nos meandros complexos da história deste hemisfério norte….

Que seja um Outono capaz de harmonizar e acalmar as energias perturbadoras do hemisfério sul….

E por último, que se revele apaziguadora das intranquilidades que habitam em cada um de nós…

 

O planeta terra agradece. E nós também!

 

 

 

tristeza

 

preto

 

Ao longo dos quase três anos deste blog, tenho tentado manter a mesma linha que o levou a nascer: partilhar sentires, momentos, lugares e alguma da criatividade que comigo nasceu, mas de uma forma tendencialmente doce, positiva e discreta, porque é essa a forma que tenho de estar comigo e de me enquadrar no mundo. Acredito, com humildade, que as energias daí nascidas são boas e que o mundo precisa das nossas melhores energias. Tento apenas contribuir com uma ínfima parte.

Contudo, sendo uma cidadã do mundo, é óbvio que há situações que geram outro tipo de energias menos simpáticas. Em resposta, não as alimento com raiva, porque esse é um sentimento que não quero dentro de mim; também não as alimento dando continuidade de uma forma quase irracional em redes sociais, como vemos amiúde; e, de uma forma geral, não as alimento com grandes conversas porque, seja em que campo for, há sempre pessoa preparadas e especializadas para falar, escrever e debater esses temas mais polémicos com competência e seriedade. Eu nada acrescentaria de novo.

Hoje, porém, vou desviar-me um pouco dessa linha de conduta, sendo certo que a energia emocional com que escrevo não é doce nem mesmo positiva. É de tristeza, incompreensão e, não obstante estar ciente que estas palavras nada acrescentam, preciso de as escrever.

Fazendo a ponte…

Apesar de vestir amiúde o preto, porque gosto dessa cor e nunca a associei a luto ou a dor, hoje vesti uma peça desse tom conscientemente e por uma causa. É um preto/negro solidário, porque esta noite mais uma mulher foi morta em Portugal pelo seu companheiro, exactamente no dia de luto nacional pela violência doméstica.

Estamos na décima semana do ano de 2019 e esta última vítima foi a 12ª a morrer no meu país. A continuar este ritmo, serão o dobro do ano anterior. Caberá ao estado e às suas instituições agir rapidamente sobre a situação, esperando que esse agir seja firme, real e com efeitos a curto prazo, pelo menos na actuação a ter com casos já referenciados. Não será tolerável que as acções recentemente divulgadas e ainda em fase embrionária não sejam desenvolvidas com rapidez e rigor. Vamos aguardar, mas todos sabemos que algo tem que ser feito.

Como ser humano, revolta perceber que as situações de violência existem porque o senso, o chamado bom senso deixou de existir e foi completamente engolido por sentimentos doentios, irracionais e até capazes de matar quem, em certo momento, se escolheu para partilhar a vida ou mesmo ter filhos.
É difícil imaginarmos o leque de emoções que este tipo de acontecimento/violência deverá gerar ao longo da vida dos protagonistas, especialmente das vítimas: haverá amor e ódio, ilusão e desilusão, alegria e dor, confiança e terror. E haverá o viver ou o morrer.

Todas as vítimas foram mulheres. Doze homens do meu país preferiram alimentar o seu orgulho masculino e matar por ciúme, amor ou ódio. Preferiram escolher a cadeia e muitos anos sem liberdade a aceitar que as situações e os sentimentos mudam, e que as suas companheiras não são objectos nas suas mãos.

A realidade nua e crua mostra que às mãos desta ignorância e de tanta falta de educação vão morrendo seres humanos que, um dia, sonharam e desejaram um futuro de paz e de comunhão com os seus parceiros.
E infelizmente, mais se seguirão.

Se por um lado é necessário actuar de imediato em algumas frentes, creio que será na família e na escola que estará a solução para este problema, mesmo que os efeitos sejam a médio ou longo prazo. Sensibilizar os jovens, será a chave.

Então que esse papel seja assumido com empenho pelo estado e pela sociedade no geral, e por todos nós em particular no nosso pequeno circulo de acção. Será a solução para uma meta a atingir. Sem desvios nem recuo.

Hoje, o meu preto, é mesmo de luto.

 

 

 

 

 

o humor dos dias

 

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Limpo
alaranjado
cinzento
ou chuvoso,
o dia acorda
lento
e silencioso.

No ar,
uma energia
que gosto de acompanhar,
com o corpo
e o olhar
num calmo respirar.

Então…

…no meu trajecto diário
e matinal
pelas margens da capital,
em vários dias parei
naquele lugar,
a fim de fotografar
a poesia
a energia
e o humor de cada dia.

Seis dias…seis imagens…

Em cada uma
um sentir
único e pessoal,
talvez alimento visual
para o humor do meu dia!

 

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Imagens captadas em Lisboa perto das oito horas da manhã, nos dias 28, 29, 30  e 31 de Janeiro e a 1 e 4 de Fevereiro, de um ponto localizado entre o Padrão dos Descobrimentos e a Torre de Belém.

 

(Dulce Delgado, Fevereiro 2019)