olhar voador

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Por mim passou…

…e o meu olhar com ela voou!

No ar
rodopiaram,
e longe
bem longe
ela pousou…

…a borboleta,

porque o olhar,
feliz
e fascinado,
pelo vasto prado
se enamorou!

 

 

(Dulce Delgado, Maio 2018)

 

 

 

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esquinas…

 

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Numa “esquina da rua”…

… procuramos orientação
… mudamos de direcção
… é fácil chocar com outro
… apanham-se sustos
… marcam-se encontros
… acontecem momentos inesperados
… cruzam-se olhares
… passa o efémero

 

Nas “esquinas da vida”…

… travamos
… equacionamos o percurso seguido
… sentimos medo de mudar
… estão as surpresas desagradáveis
… habitam os problemas
… repensamos situações
… tomamos decisões/opções
… mudamos de rumo
… resistimos
… lutamos
… somos corajosos
… saímos da zona de conforto

 

E nas “esquinas do céu”, um lugar que a imaginação concebeu:

… encontramos o receio de voar/viajar
… adormecem os sonhos
… perdemos a fé
… procuramos a contemplação
… caímos das nuvens
… esconde-se a vertigem
… divaga o olhar

…e, estou certa,

poderemos encontrar… duas nuvens a conversar!

 

 

(Dulce Delgado, Maio 2018)

 

 

…60!

 

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Dançam as nuvens
as árvores
e um bando de pássaros…

O ar é o palco
A música é o vento
A valsa, o movimento
E o meu olhar, um abraço!

 

Este pequeno poema que escrevi algures na década de noventa, é um dos que mais aprecio.

De certa forma é um poema sem tempo, pois reencontro-me sempre que o leio, o que me leva a sentir que ele foi passado, é presente e será futuro. Essa intemporal-idade que me transmite é uma boa razão para o partilhar neste dia em que cumpro 60 anos de vida, seis décadas de imensos olhares e sentires, de dificuldades e vitórias, de muitas alegrias, mas igualmente da estranha sensação de que tudo passou rápido demais.

Sei que o tempo que me será oferecido será seguramente bem menor que o já vivido. Seja ele qual for, enquanto o puder fazer em consciência será para abraçar, para envolver com o olhar e partilhar em palavras, imagens ou desenhos, não só com os que estão fisicamente mais perto, mas igualmente com os outros que, através deste blog ou não, vão acompanhando o meu sentir nesta aventura que é a Vida.

Fá-lo-ei da melhor forma possível e sempre tentando descobrir/aprender algo de novo todos os dias, seja em mim, seja nos outros, seja no mundo onde me situo ou na natureza que me envolve. E depois partilhar isso. Porque a vida, mesmo com todas as dificuldades com que nos presenteia, não merece outra forma de estar.

Obrigada por estarem presentes nesta simbólica data da minha vida!

 

 

(Dulce Delgado, 7 Maio 2018)

 

 

 

sagres

 

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Elegante,
segue de velas ao vento
imponente
e sempre com algum encanto!

Desliza
suavemente
entre a neblina do céu
e o doce brilho do mar,
num horizonte que a leva
e sempre
a faz regressar.

É navio,
escola
e percorre o mundo a ensinar
a arte de marear…

…ver a Sagres a navegar,
lembra com emoção
a aventura
e a loucura
que levou este povo
ao outro lado do mar!

 

 

(Dulce Delgado, Abril 2018)

 

 

 

vida respirada

 

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Perceber o que é Viver,
este Estar
e este Ser,
é tudo o que queremos saber.

Gosto de sentir a Vida
como um acto de respirar,
como um fôlego que entra em nós,
alimenta
cresce
e vai,
para um dia talvez voltar.

A vida seria então um profundo inspirar …

…de sensações sentidas
entre a dor e o amor,
de saberes e presenças
momentos e experiências,
e da emoção,
talvez longa
talvez efémera
de estar nesta construção.

E seria um expirar…

…de pensamentos viajantes,
palavras ditas no ar
sorrisos ténues ou vibrantes,
e de gestos,
de tantos e tantos gestos que são nossos
sem pensar!

Inspirar… Expirar…RESPIRAR…

E no fluir deste Respirar
somos Vida,
resistência
luta
partilha
afectos,
e solidão também.

Mas mais do que tudo
somos,
uma sublime energia
vivendo a aventura
deste acto de magia!

Eu,
tu
e todos nós!

 

 

(Dulce Delgado, Abril 2018)

 

 

 

lugar espaço

 

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Um passo
entre
muitos mais…

…chegar
a qualquer lugar,
e aí ficar
ou continuar.

Contudo,
se cada passo
ocupar um espaço
e um lugar
possível de ficar…

…tudo é espaço…
…tudo é lugar…

 

E eu,
o que sou neste estranho divagar?

Um espaço a pensar? Um lugar a pairar?

 

 

(Dulce Delgado,  Abril 2018)

 

 

 

 

pela cidade

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Num calmo caminhar,
sigo a sombra
do meu andar.

Mas para trás
a sombra rodou,
porque uma luz
se aproximou…

…por pouco tempo…

…ao passar o candeeiro
sorrateira,
para a frente ela voltou.

E assim
neste dançar,
percorremos de luz em luz
aquela rua da cidade,
num jogo de partilha
e de alegre
cumplicidade.

No ar…

… o som do meu caminhar
… a luz da noite
e o silêncio de um par
que nunca me irá deixar!

 

 

(Dulce Delgado, Abril 2018)