poesia…árvore… e criatividade!

As raízes
são alimento
alma
ligação,

elos fortes
que esta árvore
imaginou
poder quebrar.

Então cresceu nesse sonho…

…e hoje,
no mesmo lugar
percorre o mundo
perante o nosso olhar!

Ao Dia da Poesia…da Árvore… e da Criatividade, que hoje se comemoram.

(Dulce Delgado, Março 2021)

a fuga…

Não,
não gosto de sentir
aquela ideia ou pensamento
naturalmente surgidos
e num ápice perdidos
nas névoas da memória
da idade
e do tempo.

Não,
não gosto desta memória
contraditória
que não sabe agarrar
a energia do meu pensar
e que a nega
sem escrúpulos
para depois eu procurar.

E eu,
que não gosto de perder o que é meu,
deambulo paciente
pelos labirintos da mente
buscando uma pista
detalhe ou acção
que me leve
ao que procuro,
e finalmente
agarrar com toda a atenção!

Por vezes consigo…
…muitas não!

(Nestas situações penso: “Pobre memória, não dá para tudo!”
 E sinto-me um pouco melhor…😉)

(Dulce Delgado, Março 2021)

o trilho

Neste trilho que é a Vida, qual passadiço de muitos momentos e elementos justapostos…

…sobrepostos
…quebrados
…instáveis
…frágeis
…fugidios
…escorregadios
…estabilizados
…seguros
…fluidos
…harmoniosos
…emocionantes
…belos

…nós seguimos. E caminhamos.

Sós.

Sós com as nossas escolhas…

…desvios
…indecisões
…arrependimentos
…certezas
…dúvidas
…tropeções
…feridas
…conquistas
…vitórias
…superações

Há um trilho que, indiscutivelmente, é só nosso.

(Dulce Delgado, Fevereiro 2021)

entre margens

Somos pêndulos em movimento,
fixos à vida
completos entre dois polos.

Por vezes…
somos dúvida
incapacidade
insegurança
dor,

e noutros momentos …
força
certeza
ternura
amor!

Será esta dualidade
a nossa verdadeira realidade?

Como um rio…
…que flui naturalmente entre margens opostas?

(Dulce Delgado, poema antigo e não datado….mas sempre actual!)

entre prosa e poesia…

Dezembro seria um mês banal se não fosse o Natal, aquela festa familiar, bem enraizada e de sabor tradicional.

Em Portugal o mês começa com um feriado, dia que nos relembra um momento fundamental da independência nacional. Uma semana depois um novo feriado, este religioso, para uns algo indiferente e para outros valioso. Mas para a grande maioria, devido à pandemia foram dias sem igual…pelo confinamento geral!

E Dezembro continua… colorido…luminoso…vestindo-se de Natal…e aquecendo com ternura a esperança nacional.

Sem planeamento, qualquer mês de Dezembro pode ser louco em demasia, pelo desejo de comprar algo certo para ofertar a amigos e família. Nesse deambular natalício, sempre surge na minha mente aquele difícil pensamento que opõe o espírito de Natal com o lucro comercial.

Curiosamente, neste peculiar Dezembro de um ano tão impar, não houve confronto mas sintonia, ciente que tudo o que comprarmos ajudará uma economia bastante debilitada em virtude da pandemia.

E assim, passo a passo e sem conflito prosseguirá o ritual que levará ao Natal deste ano inesquecível. E ao mais desejado reencontro familiar – nessa data possível sem esquecer a segurança – mas sobretudo a um tempo de fé e de profunda esperança numa real mudança.

O mundo deseja e o mundo precisa. Esperemos que assim seja!

(Dulce Delgado, Dezembro 2020)

por aí…

Que prazer partilhar
um passeio pela cidade
pela serra
ou junto ao mar!

Passo a passo,
assiste-se com emoção
à lenta libertação
de pensamentos sem paz,
alicerces obscuros
de uma rotina sempre voraz.

A par dessa libertação
a conquista do lugar,
arejada sensação
de respirar com o olhar.

Completam-se com ternura
o meu e o teu olhar,
um prefere a paisagem
o detalhe
e a textura,
o outro a borboleta
ou a ave a voar!

Por fim,
prolonga-se o passeio
em palavras e imagens
semeadas com ternura
nas brancas folhas dos álbuns,
guardiões para o futuro
das memórias que já falham!

Este poema já conta alguns anos de vida, mas tem surgido amiúde no meu pensamento do decurso da actual pandemia e dos confinamentos/restrições de liberdade a que temos sido sujeitos sobretudo os fins-de semana e feriados.

Compartilho com o meu companheiro um gosto especial em andarmos “por aí” explorando novos locais ou a revisitar outros, mas com toda a disponibilidade, ao nosso ritmo e sem restrições de horários. Neste ano de 2020 essas incursões diminuíram drasticamente para um nível que desconhecíamos e limitado imenso a liberdade a que estávamos habituados.

Dadas as circunstâncias actuais sabemos ser um mal necessário. E sabemos ainda, sendo realmente objectivos, que este nosso “mal-estar” é um mal menor e um não-problema comparativamente com tantas situações difíceis que esta pandemia tem semeado pelo mundo.

Entretanto, e sempre acreditando que qualquer dia voltaremos sem restrições às nossas explorações, vamos andamos “por aí” muito pontualmente…
…passeando sobretudo com a imaginação…
…lendo e relendo a lista dos locais que esperam a nossa visita…
…revisitando lugares através dos muitos álbuns já construídos…
…e sempre, mas sempre viajando através da magnífica fonte de devaneios que é o Google Maps!

Melhores dias virão para todos nós!