descanso

 

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No silêncio do meu olhar
sigo uma ave pelo ar.

A distância a levou
e o meu olhar se dispersou.

Então ele vagueou
no desejo de encontrar
outro lugar onde pousar.

Não encontrou.

Fechei os olhos
e guardei esse olhar…

…que feliz se aninhou
num recanto do meu sentir
para o descanso apreciar!

 

 

(Dulce Delgado, Dezembro 2018)

 

 

 

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óbvia mente

 

obvio a

 

Óbvio?
O que é o óbvio?

O meu olhar?
O teu sentir?
Aquele agir?
Este pensar?

O meu óbvio…
…ou o teu óbvio?

Adoro
a incerteza
e a subjectividade do Óbvio!

….

 

 

(Dulce Delgado, Dezembro 2018)

 

 

criativa dor…

 

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Por vezes
o corpo é um palco
onde a dor
é o actor.

Friamente,
prefere este actor
a noite
provocando sem pudor
o sono
e o meu descanso.

Farto de tal cismar
desiste o sono
de dormir,
aliando-se com a dor
num estranho abandono
indiferente
e sem ardor.

Não,
não leram
uma falhada
história de amor
ou uma ficção
inventada…

…mas um guião sem humor,
em silêncio encenado
num recanto deste meu corpo
para um único espectador!

 

(…por vezes…
…a melhor forma de “combater” o inimigo é aliar-mo-nos a ele e tentar construir algo…nem que seja um poema!)

 

 

(Dulce Delgado, Novembro 2018)

 

 

 

carpe diem…

 

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Chove novamente…

Singela,
uma gota pousa na janela.

Segue-se outra
e muitas,
muitas mais.

Sem espaço,
escorregam
e perdem o equilíbrio,
iniciando
a radical descida
do transparente
precipício.

Pelo caminho,
outras são arrastadas
sem piedade
jeito
ou respeito,
desaguando todas no lago
que nasceu no parapeito!

 

Moral da história que quis ser poesia:
aproveitemos o momento presente…porque não sabemos o que pode suceder no instante seguinte!

 

 

(Dulce Delgado, Novembro 2018)

 

 

poema sem tema

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Quero um poema
sem tema.

Um poema livre
isento,
sem dilema
ou problema.

Talvez,
um anárquico poema
de palavras sem lema…

…ou,
um não poema
de sílabas
fugidas do sistema.

Sem estratagema.

Então pedi ao e
para se agarrar ao ma,
e num momento de devaneio
construírem um poema…

…singular
…meio louco
…e fora do esquema!

 

 

(Dulce Delgado, Outubro 2018)

 

 

 

ondas

 

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Uma onda…
outra…
e outra mais…
muitas ondas…

Linhas deslizantes
que se cruzam
neutralizam
e ultrapassam
no tempo de um olhar.

Desejos fluidos
do mar
nascidos em cada instante,
seja ao longe
na linha do horizonte,
ou aqui,
na beira deste lugar
tão fácil de eu amar!

Uma onda…
outra onda…

Serão as ondas
as mãos do mar
que acariciam a beira-mar?

 

 

(Dulce Delgado, Outubro 2018)