água vida

 

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Meses depois, a chuva, a humidade e os dias cinzentos regressaram a uma boa parte deste Portugal sedento. Como ela é bem-vinda!

As nossas barragens estão em níveis mínimos e nunca vistos, e os rios acompanham assustadoramente essa escassez. Por isso seria bom que esta chuva permanecesse bastante tempo entre nós, para se entranhar nos solos, torná-los produtivos e simultaneamente alimentar os lençóis freáticos e aquíferos vitais para a vida de todos e para o equilíbrio da natureza.

Acreditemos nessa possibilidade.

Contudo, acreditar não basta, porque precisamos de ser pro-activos na nossa relação com a água. Todos os dias.

Em minha casa, tudo fazemos diariamente para poupar esse bem essencial. Para além das acções habitualmente divulgadas, refiro três gestos menos comuns:

– as garrafas de plástico cheias de água que ocupam há muito tempo uma parte do reservatório dos autoclismos, diminuindo a quantidade de água potável que vai em cada descarga para a sanita;

– a recolha sistemática para um balde de toda a água fria que sai da torneira da banheira até chegar a quente;

– a recolha da água de lavagens de legumes e fruta, ou de alguma roupa ou louça lavada manualmente.

Na prática, são cerca de três baldes de água que recolhemos diariamente e que substituem várias descargas simples de autoclismo. No fim do mês, esses gestos reflectem-se na conta a pagar e são uma pequena ajuda para o planeta.

Muitos dirão “que chatice, isso dá trabalho e não adianta nada!”

E eu convictamente respondo: estes gestos não dão trabalho, porque rapidamente se tornam rotina. Apenas exigem uma vontade genuína em preservarmos um bem maior e vital desta terra que nos acolhe.

Se formos muitos a fazer algo semelhante, estamos a contribuir objectivamente e não apenas com palavras para uma causa maior. Pensem nisso.

 

Entretanto,  desejo a todos um bom fim-de-semana!

 

 

 

 

 

banho de natureza

 

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A efémera beleza das flores de um nenúfar acompanha as horas de sol e o ritmo das  estações, mas a planta-mãe saboreia durante todo o ano o lento mover do fluído que a alimenta. Os nenúfares exteriorizam na Primavera e no Verão o que guardam com recato na restante metade do ano.

Recentemente senti o prazer de me banhar numa piscina biológica, cuja pureza e equilíbrio resulta da presença de diversas espécies de plantas aquáticas, incluindo nenúfares. Todas foram controladamente plantadas numa faixa na periferia do espaço e, a par dos limos e de outros micro-organismos, contribuem de uma forma natural para o processo de limpeza e oxigenação da água, meio também habitado por uma fauna específica de pequenos animais como rãs, cobras-de-água, insectos variados, incluindo muitas libélulas/libelinhas.

Centrando-me nos nenúfares…

…as várias espécies existentes  foram plantadas de modo a permitir uma certa proximidade e um diálogo “olhos nos olhos” deixando os sentidos apreciar…

…flores com morfologia e cores diferente
…folhas com formatos diferentes
…e aromas diferenciados!

Surpresa!

Apesar de olhar para os nenúfares como uma planta belíssima, misteriosa e um tanto mística, na verdade sempre esteve “longe”…ali…além…em lagos…e nunca ao nível dos meus sentidos e ao lado do meu corpo.

Ainda não experimentara…

…afagar os seus finos caules e robustas folhas…
…cheirar o aroma das flores…
…partilhar a mesma água…
…e sentir o seu tranquilo e uterino modo de vida!

Momento único este “banho de natureza”!

Como único e inesquecível foi aquele instante em que uma pequenina rã salta da folha de um nenúfar onde repousava (apreciando talvez o sol e a paisagem…), e começou a nadar junto a mim. E eu segui-a… calmamente….emocionada… e totalmente fascinada!

Depois ela seguiu para o interior do mundo dos nenúfares, uma área proibida a esta feliz humana que acabara de viver um daqueles momentos em que nos sentimos parte de algo maior e, na “pele”, a ternura desta mãe-natureza que nos enlaça e envolve.

Numa única palavra: adorei!

 

 

 

 

de regresso… IV

 

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Sendo a natureza a vertente que mais prevalece no momento de planearmos férias, não poderia terminar este conjunto de posts sem partilhar esse sentir de uma forma mais concreta.

Não foi fácil fazer uma selecção de imagens porque cada lugar revelou detalhes que facilmente atraíam a atenção e a máquina fotográfica. Mas a escolha foi necessária, sendo provável que, mais cedo ou mais tarde, as não escolhidas apareçam noutros contextos e temáticas. Afinal a natureza é uma contadora de histórias, pelo que cada detalhe que ela nos oferece é um mundo que se abre ao olhar e à imaginação.

Começando pela imagem inicial…

…estamos perante um fruto, incógnito e sem sementes descansando em terreno infértil, algo que só por si teria potencial para uma divagação. Mas não me posso perder…

Aquelas sementes estarão algures, já germinadas ou ainda dispersas no solo. Foram levadas pela água, pelo vento ou serviram de alimento a uma ave. Num tempo indeterminado, outras sementes iniciaram um ciclo de luta e sobrevivência, de cooperação e exploração, de partilha de vida e de beleza, seja através dos seus troncos…

 

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…ou da aparente fragilidade dos outros elementos que as formam, como as folhas, as flores ou os frutos.

 

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Sendo a água imprescindível na sobrevivência de todas as espécie, ela corre, escorre, afaga, penetra, alimenta e deslumbra… como fonte de Vida e como fonte de prazer, consoante os contextos.

 

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Com vegetação e água, naturalmente a vida animal surge perante o nosso olhar. Em sons e silêncios, movimentos e relações, cor, beleza, ternura e encanto…

 

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E assim, com esta imagem de uma andorinha em voo sobre o rio Tua, fotografia que gosto imenso e que foi captada pelo meu companheiro de vida e de aventuras Jorge Oliveira, termina esta série de quatro posts sobre um tempo de férias com energia e sabor lusitano. Espero ter conseguido transmitir um pouco desse sentir.

Este post especificamente, publicado num tempo crucial, difícil e de enorme importância para a natureza e para este planeta que nos recebe, é apenas um pequeno contributo para o respeito e para a atenção que ambos nos merecem. Mais não seja porque o olhar e a beleza também nos alimentam o pensar.

Desejo a todos uma boa semana!

 

 

uma árvore pela floresta

 

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Relembro que nesta altura do ano, e à semelhança dos anteriores, se encontra em curso a campanha Uma árvore pela floresta, que resulta de uma parceria entre os CTT e a Associação ambientalista Quercus.

Esta campanha visa a plantação de árvores autóctones em regiões de Portugal afectadas pelos devastadores incêndios dos últimos anos, sendo a ajuda de todos nós importante na recuperação dessas áreas.

A compra de um kit pelo valor de 3,5 euros numa das 400 estações dos CTT espalhadas pelo país é a forma mais fácil de colaborar. Adquirido o kit, basta registar online o seu número e na Primavera de 2020 uma árvore será plantada em parques ou matas nacionais. Posteriormente seremos informados sobre a sua localização. O medronheiro, espécie emblemática da nossa flora, é a árvore escolhida para este ano.

A compra online também está disponível, sem custos de envio, mas apenas para um conjunto de cinco kits.

Esta é uma forma fácil de “plantar” uma árvore no local certo e com um objectivo. A natureza agradece toda a nossa colaboração!

 

 

Imagem retirada de
https://www.ctt.pt/ctt-e-investidores/sustentabilidade/projetos-e-iniciativas/uma-arvore-pela-floresta-2019.html

 

ele tocou o nosso sentir…

 

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… nos dias mais quentes surgidos entre os frescos e os chuvosos da Primavera que hoje termina;

… na luz do sol que bem cedo invade todos os recantos das nossas casas e teima em nos acordar;

… no dia em que olhamos para o roupeiro e decidimos trocar o vestuário mais quentes por outro mais fresco;

… naquele dia primaveril com sabor a Verão em que voltamos à praia e a sentir o prazer da areia morna em nossos pés;

… na crescente e irrequieta vontade de exterior que nos invade;

… no degustar das primeiras sardinhas assadas da época, de preferência numa esplanada e em boa companhia;

… no prazer daquele gelado saboreado num dia mais quente;

… e ainda, logo no início de Primavera, quando é necessário decidir as datas a inscrever no mapa anual de férias…

…ou, a partir daí, quando as incursões pelo Google Maps começam a ser frequentes a fim de planear essas férias!

 

Contudo, apenas às 16h 54m de hoje, 21 de Junho de 2019, o Verão chegará oficialmente à nossa pele… sentidos… energia… vida… desejos… calendário…etc, neste que é o dia com mais horas de luz no hemisfério onde habito.

Inspiremos esta energia com pensamentos positivos e construtivos, de tolerância pela diferença e de um profundo respeito pela natureza.

Ao entrarmos num período propício a um contacto mais próximo com o exterior e com o ambiente, temos o dever e a obrigação de estar mais atentos e de não contribuir para o agravamento dos problemas que infelizmente ele revela. 

 

Desejo a todos um excelente e consciente Verão!

(e um aconchegante Inverno para os meus leitores do hemisfério sul!)

 

 

 

 

61!

 

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Nasci em plena Primavera, por sorte na época do ano que mais aprecio.

Faz hoje precisamente 61 anos que decidi começar esta aventura para além do útero materno. Nasci rodeada da bela paisagem alentejana, um selo de harmonia e de energias que gosto de acreditar ter marcado a minha sensibilidade ou a forma como a luz, o sol, o céu, a paisagem ou a natureza me tocam e são geradores de sentires muito próprios.

Esta será certamente uma visão algo romântica da questão, pois a realidade regista que deixei o Alentejo com pouco mais de seis meses… contudo, sendo o romantismo um pensar doce e que não faz mal a ninguém, esta sexagenária não resiste ao seu paladar!

Assim, voltando à ideia que as paisagens alentejanas oxigenaram os meus genes nesse período…a verdade é que a minha estrutura emocional se manifesta de uma forma muito vibrante quando encontro um prado na Primavera. Adoro prados! E o Alentejo onde nasci… é um mar de prados!

Se me perguntarem que flores mais gosto, só tenho uma resposta: as flores de um prado e um prado com flores! Sejam as pequenas e menos visíveis que o verde protege com cuidado e gratidão, ou as mais exuberantes que atraem o nosso olhar e chamam a atenção.

Um prado é a “maior democracia” que existe na natureza. É o equilíbrio puro, na sua forma mais espontânea. Todas as espécies têm o seu papel numa cooperação harmoniosa, a que o acaso pela mão dos quatro elementos – terra, ar, água e fogo/sol – criou para deleite da própria natureza e do nosso olhar.

Tudo está no local certo, em resultado de uma dinâmica perfeita. Mesmo que exista competição entre espécies, o que sabemos ser comum na natureza, o equilíbrio é genuíno e existe só por si.

A beleza do conjunto revela-se igualmente num olhar mais detalhado, mas hoje não vou por aí, não é importante. Talvez um dia partilhe essa visão. Nesta data, em que me sinto feliz e muito agradecida por completar mais um ano de Vida (não obstante as dificuldades que sempre vão surgindo), o prado é um símbolo a que dou enorme valor, seja pela capacidade de auto-regeneração anual, seja pela harmonia que transmite e que sempre procuro guardar e “cultivar”, ou ainda pela grande lição de respeito e de cooperação pacífica que dá ao mundo.

A imagem inicial é um detalhe de um belíssimo prado que recentemente encontrei num recanto da região onde resido. Senti-o como um pedaço de Vida, como uma oferta da Natureza…e como tal, ideal para partilhar neste dia!

 

 

planeta azul

 

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Há memórias de infância que ficam bem guardadas, talvez pela ingenuidade a que estão associadas. Recordo pensar que, se fosse caminhando sempre em frente, chegaria a um ponto em que o chão acabava e haveria um enooooorme precipício para o qual poderia espreitar. Essa ideia era assustadora, mas simultâneamente fascinante.

Depois, quando percebi que a terra era redonda, surgiu outra dúvida e esta talvez ainda maior: como é que as pessoas que estavam no outro lado da bola não caíam?

A ida para a escola esclareceu naturalmente estas interrogações silenciosas que me habitavam. Também o aparecimento em casa de um globo terrestre onde o meu país quase não se via contribuiu para a ideia ainda em formação sobre a real dimensão do planeta.

Contudo, creio que a grande tomada de consciência aconteceu já em adulta quando saí de Portugal pela primeira vez e levei duas horas e pouco para percorrer de avião os 2000 kms que separam Lisboa de Paris…ou seja, percebi que precisaria de 20 viagens iguais para dar a volta aos 40 mil quilómetros do perímetro da terra. Esta constatação, sentida na pele e acompanhada pelo olhar que não saía da janela do avião, foi algo de magnífico e inesquecível.

O tempo passou…

Apesar de ainda não ter viajado para além das fronteiras da Europa, a dimensão, características e beleza do nosso planeta fascinam-me totalmente e geram em mim um enorme respeito. Mas igualmente dor e tristeza pela forma como nós, simples convidados, temos maltratado este nosso anfitrião.

Hoje é o Dia Mundial do Planeta Terra.

O dia daquele planeta azul que nos acolheu neste infinito Universo…. e que as tecnologias como o Google Maps ou o Google Earth permitem “controlar” com um cursor e percorrer de lés a lés apenas com um click. Maravilhoso, sem duvida.

Mas também é o dia daquele pedaço de terra que eu imaginei “terminar num precipício”….uma imagem-metáfora que ninguém deseja, mas que já esteve bem mais longe de se tornar realidade.

 

 

Imagem retirada de http://institutoecoacao.blogspot.com/2017/04/dia-22-de-abril-dia-internacional-do.html