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Refere o calendário
ser 31 de Janeiro
o “Dia ao contrário”,
data  que pretende alertar
e contrariar,
hábitos e rotinas
que inundam a nossa vida
e certa forma de estar.

Para no cérebro acordar
recantos adormecidos
e maleitas afastar,
é sempre bom treinar
gestos desconhecidos
que o possam estimular.

Vejamos então,
o que poderemos fazer com essa intenção:

 

Usar os talheres trocados,
escrever
e várias tarefas fazer com a mão do outro lado;

Sobre o pé não dominante
seguir avante…
… ou o equilíbrio manter, até mais não puder ser!
 
Fazer cálculo mental,
ler no sentido contrário algo que não seja banal,
ou novos caminhos seguir para chegar onde se quer ir!
 
E ainda,
depois do almoço e café,
trocar o cómodo sentar por um bom passeio a pé!

 

Também as emoções podem ter outras versões:

 

Com outros trocar tarefas ou apenas de lugar;

Dar sem nada querer a não ser o partilhar;

Se alguém nos irritar um sorriso devolver;

Ou com alegria tentar
afastar o telemóvel e olhar para outro olhar!

 

Seguindo este “brincar”
muito se pode inventar
a fim de arejar
o cérebro e o coração,
órgãos nobres e desejosos
de novidade e atenção,
nesta admirável corrida
que constrói a nossa vida!

Hoje…e em qualquer dia!

 

 

(Dulce Delgado, Janeiro 2018)

 

 

 

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primeiro olhar…

 

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O primeiro olhar que a janela de minha casa hoje me ofereceu foi um rio Tejo transformado num mar de nuvens e de ondas.

No horizonte estendia-se o perfil da serra da Arrábida, e à esquerda, o Cristo-Rei e o pilar sul da ponte 25 de Abril saíam do denso nevoeiro para procurar o céu azul e assistir ao nascer do sol.

Apesar do ar frio que entrava pela janela aberta, esta imagem aqueceu a intranquilidade com que, por esta ou aquela razão, por vezes acordamos para o dia.

Respirei fundo e pensei: “Tal como o nevoeiro se dissipará dentro de algumas horas, tudo passa na nossa vida!”

Essa é a grande verdade!

Por isso… que seja um belo dia!

 

 

a agenda…

agenda

No primeiro dia de Janeiro de 2018, vivi mais uma vez o ritual da nova agenda. Em papel, como gosto. Agenda escolhida com cuidado, com espaço suficiente para registar o que o futuro gostará de saber, seja algo emocionante ou inquietante…

…há dados que se mantêm todos os anos, como aniversários e outras datas que a memória poderia esquecer. Mas outros existem que a agenda recebe, com surpresa, e curiosa de entender;

…uma agenda do passado tem sempre razão porque, quando era presente, recebeu verdades neutras ou cheias de emoção;

…aconchegada entre agendas guardo numa gaveta uma boa parte da minha vida. Um recanto de memórias que não voaram com o tempo, muitas vezes úteis, por vezes inúteis, mas sempre uma fonte de histórias;

…estranho… é não saber se uma agenda chegará ao fim… ou se haverá uma próxima esperando por mim!

 

Voltando a esse dia e a esse ritual que aprecio …

…diria que preparar uma agenda para um novo ano é um momento solitário vivido num dia essencialmente de alegria e de convívio. É um tempo partilhado com algo que receberá diariamente a minha atenção e o meu olhar, passará pelas minhas mãos e guardará alguma da minha energia. Tranquilamente e sem contestar;

…é uma forma objectiva e peculiar de dar as boas-vindas ao “tempo novo” e “em branco” que me é oferecido, mesmo sem ser pedido;

…revela-se como um dos momentos interessantes de olharmos a nossa Vida como algo especial e bem mais abrangente que os 365 dias que supostamente temos pela frente. Porque, sendo cada um de nós um pequeno microcosmos e um pouquinho da energia que forma este Todo, material e imaterial, temos o dever e a obrigação de tentar o mais possível estar em sintonia com as energias e com a “agenda” deste tão amplo Universo.

 

Que outro sentido e objectivo poderiam ter o Tempo, e a nossa Vida, senão esse?

 

 

 

ontem…hoje…amanhã

 

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Na humanidade, sempre houve e haverá migrações voluntárias em busca de melhores condições de vida; já as migrações forçadas continuam a acontecer porque a intolerância é uma realidade e, para sobreviver, alguns povos fogem e deixam tudo para trás. Um dos casos mais recentes é o do povo Rohingya, em fuga de uma Birmânia que os considera apátridas e não os aceita, o que se revela como um dramático exemplo de falta de solidariedade humana.

Apesar da solidariedade e do respeito existirem sob diversas formas, não são suficientemente fortes para evitar o aparecimento da intolerância e do extremismo quando estão em causa opções religiosas, realidade que leva uma parte da humanidade ao maior absurdo: fazer da religião uma fonte de conflito. Embora a Essência seja semelhante, são muitos os que se agarram a nomes e conceitos, valorizando a forma de olhar em detrimento do Essencial, da Luz, do Divino, do que lhe queiramos chamar. E, em nome desse olhar são capazes de acusar, impor, negar ajuda, perseguir, expulsar, torturar, violar ou matar.

Pensando no dia de hoje, neste “dia-ponte” que nasceu aconchegado entre aquele que nos relembrou o fenómeno das migrações (18 de Dezembro), e o de amanhã, que alertará para a importância de ser solidário (20 de Dezembro)…

…um dia que, naturalmente, nos coloca entre duas realidades que se interligam…

…que bom seria se na humanidade nascesse também um “espírito-ponte” com o dom de harmonizar e de fomentar a paz ou, simplesmente, de ser um “fiel de balança” capaz de equilibrar conceitos, espalhar a tolerância e de construir pontes entre pessoas, princípios e pensamentos. Respeitando todos, não obstante a fé e as opções de cada um.

 

E assim, neste íntimo viver dos dias e do calendário, permite-me a imaginação um verdadeiro espírito natalício!

 

 

 

Imagem retirada de  https://news.sky.com/story/pimp-says-rohingya-plight-good-for-business-11124977

 

 

hoje

 

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O dia de hoje nasceu húmido e colorido na região de Lisboa, como revela esta imagem que a janela de minha casa permitiu ao primeiro olhar da manhã.

Bancos de nevoeiro descansavam nos vales e uma nuvem horizontal, com vontade de ser diferente das restantes, pontuava o espaço e fazia nascer uma nova paisagem e uma nova linha do horizonte.

Respirei fundo e agradeci. Certamente que com este prelúdio, será um dia bom!

 

 

mudança de hora

 

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O tempo controla os nossos dias… inclusive quando nos recusamos a usar um relógio no pulso porque não o queremos “agarrado” à nossa pele!
Mas a verdade é que, com ou sem relógio, ele rege a nossa existência, esvai-se quando estamos a realizar algo de agradável e distende-se na situação contrária. Ou seja, brinca connosco numa espécie de “jogo de escondidas” em que normalmente é ele que se esconde e somos nós que o procuramos.

Apesar disso, não gosto da ideia de “pagar com a mesma moeda”, ou seja, da humana decisão de brincar com ele ao alterar a hora duas vezes no ano, como sucedeu mais uma vez esta madrugada em Portugal e em vários países. Magicamente, às 2.00 da manhã, a hora de Verão transformou-se em 1.00 da manhã da hora de Inverno. E daqui a seis meses, se nada for alterado, acontecerá o contrário.

Para estas mudanças alegam-se questões economicistas e de poupança de energia, aspectos que nada têm a ver com o que está na base da vida de cada um de nós e com o elo que nos liga ao Universo.

Apesar da reconhecida necessidade de nos gerirmos por relógios uma vez que vivemos em relação/função de outros, o mais acertado seria acompanhar o fluir dos ritmos do planeta e adoptar definitivamente o ciclo horário mais próximo da verdadeira hora solar. Apesar desta estrela ser apenas um ponto neste gigantesco sistema, é o astro que nos permite aqui viver. E isso é Tudo!

Creio que o horário que mais se aproxima da hora/ciclo solar é o de Inverno, aquele que hoje se iniciou. Ao adoptá-lo definitivamente, estaríamos a permitir uma natural  e gradual adaptação do nosso corpo, sistemas e sentidos a cada uma das estações do ano e aos ciclos de mais ou menos luz que lhes estão associados. De certa forma, estaríamos simplesmente de acordo com o Universo!

Haverá porventura alguma razão mais importante e verdadeira de orientarmos a nossa Vida do que essa?

 

 

Imagem retirada de  http://www.astropt.org/2011/10/28/mudanca-da-hora/

 

 

entre a água… e a música!

 

Um breve movimento
e a vida sai em torrente,
liquida
fresca
e transparente.

Vida
quase ignorada
nesse acto banalizado
de abrir uma torneira,
acção breve
e rotineira
a que apenas damos valor
quando a água aí rareia.

Gesto simples
mas vital
que de nós merecia,
atenção
e gratidão
ao longo do dia-a-dia!

 

Este poema não é recente e surgiu após um corte de água em minha casa, situação sempre incómoda mas muito interessante pela reacção que nos provoca.

Esperava uma ocasião propícia para ser partilhado, momento que surgiu quando há pouco percebi que hoje se comemora em Portugal o Dia Nacional da Água e que se inicia o ano hidrológico, eventos que acontecem num período em que as reservas hídricas do país estão assustadoramente abaixo do desejável. Contudo, a água ainda continua a sair das torneiras… e a cair na nossa indiferença!

Mas este nosso dia nacional é hoje acompanhado por algo maior em dimensão, o Dia Mundial da Música. Esta complexa arte que brota da criatividade de muitos, existe igualmente de uma forma mais simples e minimalista na natureza e nos imensos sons que ela produz e nos oferece, sendo talvez um dos mais agradáveis e tranquilizadores o da água a correr num riacho ou a jorrar de um fontanário.

A água alimenta o corpo…e a sua “música” alimenta a alma…

…por isso, neste dia de água e de música… apreciemos devidamente e com gratidão as “fontes” que estão na sua origem!