hoje…

…após acordar e ainda muito estremunhada, deparei-me com esta imagem quando cheguei à janela. E pensei: que belo presente para começar o dia!

Fui buscar a máquina fotográfica e tirei estas fotos apreciando calmamente o momento. E posteriormente pensei: porque não partilhar este presente?

Um bom dia para todos!

ternura matinal

Por vezes, ao começo do dia, o Sol nasce com um imenso desejo de afagar a rugosa pele da Terra com os seus raios dourados e rasantes.

E com esse gesto, presentear-nos com um belíssimo, luminoso e terno momento!

(Serra de Monsanto, Lisboa, 8 Setembro 2021)

importante

Em véspera de um novo período de confinamento decretado para o meu país em virtude da pandemia e que também me irá abranger, sei que por algum tempo não passarei por este lugar de todos os dias e por estes belíssimos olhares que Lisboa me oferece.

No meu íntimo e perante esta imagem, para além de agradecer mais uma vez esta dádiva matinal, desejei sobretudo que a energia emanada por este tranquilo nascer do dia se reflicta na consciência deste país, seja alimentando a esperança que nos habita, seja na lucidez e na atitude responsável com que devemos cumprir rigorosamente o que nos é pedido a partir de amanhã.

E temos a obrigação de o fazer em prol de uma sociedade que neste momento tem recursos a atingir o limite e muita gente afectada pelo cansaço, pelo sofrimento e pelo desgaste emocional provocado por toda esta situação. Sem esquecer obviamente as graves dificuldades económicas que já atingem uma boa parte da população.

Por tudo isso e pelo todo que formamos como país, façamos o nosso melhor.

recomeço…

Depois de um pequeno período de férias e de rotinas mais simpáticas, hoje foi dia de levantar cedo, voltar ao trabalho e aos gestos mais iguais. Pela frente temos Janeiro, talvez o mês mais difícil do ano, porque é longo… não tem feriados…e geralmente é o mais frio de todos. Aliás, Portugal está a sentir na pele a frente fria que paira sobre ele.

Apesar disso… soube bem parar o carro, aconchegar a roupa ao corpo, sair para o frio exterior e registar o começo deste quarto dia do mês de Janeiro de 2021. E agradecer o facto da vida me proporcionar esta bela rotina matinal!

Tiradas as fotos, foi tempo de respirar fundo… voltar ao carro e seguir para o emprego. Assim como este avião seguia para o seu destino.

Desejo-vos um dia com detalhes felizes!

liberdade em dia

 

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Neste Dia da Liberdade…

…posso ler e pensar o que quiser,
partilhar as ideias que me apetecer,
voar com o imaginar,
e ser livre de pensamento
e com ele passear ao vento.

Porém,
neste Dia da Liberdade…

…estou presa em grades invisíveis
e isolada da comunidade,
com movimentos limitados
e liberdades impossíveis.

Hoje,
quarenta e seis anos depois
vivemos o paradoxo da Liberdade de Abril,
uma liberdade que nos limita os dias
os movimentos
e os gestos,
é certo,
mas que existe e é nossa.

Agora,
a liberdade espera-nos atrás da porta
e canta nas varandas do país,
respira na criatividade das redes sociais
revela-se em gestos generosos
nos detalhes partilhados
e vive,
segura e adulta,
nos direitos por Abril conquistados.

Hoje,
neste Dia da Liberdade
e um tanto à revelia,
a Liberdade é nossa
a Liberdade está em dia!

 

Dulce Delgado
(Portugal, 25 Abril 1974 / 25 Abril 2020)

 

 

 

 

pela primavera

 

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Manifesta-se com elegância a energia da Primavera, seja no alongar das horas de luz dos nossos dias, seja no aparecimento de temperaturas mais amenas nas emoções da nossa pele… e sempre, sempre no imenso acordar da natureza que está a acontecer em nosso redor.

Neste momento das nossas vidas e dadas as circunstâncias de retenção e de isolamento social em que estamos…

…não tenho um prado com flores para deleitar o olhar, mas tenho a florescência de algumas plantas de interior que aqui e ali dão cor a minha casa;

…posso não ter o aroma da terra, mas tenho o aroma intenso de um manjericão;

…não tenho a liberdade de ir passear e de proporcionar ao corpo e aos sentidos a vital energia deste início de estação, mas tenho o privilégio de ter uma casa com boa vista, muita luz e muita natureza no seu interior;

Apesar de confinada a algumas paredes e com o corpo e a mente claramente centrados num receio/medo que se pegou à nossa pele e ao nosso pensamento, eu tenho quase tudo. Em meu redor acontece o desenrolar silencioso da nova estação, os novos rebentos que brotam, as folhas em busca de um espaço próprio ou as flores revelando o seu potencial de forma e cor. 

É essa Primavera que hoje quero partilhar convosco.

 

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A viver numa varanda fechada (apesar de ser uma planta de exterior), a minha buganvília está cheia de flores e de rebentos neste início de Primavera, como revelam as primeiras três imagens. Tenho por ela um carinho muito especial uma vez que me foi oferecida após a publicação do texto que marcou o início deste blog e onde mencionei a empatia que sinto por esta espécie vegetal.

 

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Também o azevinho, outra planta de exterior a viver no interior, acompanha a vitalidade da buganvília e a sua energia expansiva. As pequenas flores brancas estão a dar lugar aos frutos, que um dia serão vermelhos.

 

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Todas as violetas estão felizes, cheias de botões e de vontade de partilhar as suas flores!

 

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Se as flores das begónias espalham o seu tom rosado, já o clorófito oferece a singeleza das suas pequenas flores brancas pontuadas pelo amarelo da antera dos estames.

 

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Contrariamente à planta-melancia, cujas flores são tão minúsculas que quase não se vêem, as orquídeas têm vaidade no tamanho das florescências, agora ainda em botão.

 

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Os fetos e as avencas não apresentam flores, mas são imensas as folhas que neles desabrocham…

 

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…assim como no Lírio da Paz ou no Scindapsus, acontecendo o mesmo em várias outras espécies.

 

Termino com o cheiroso mangericão porque ele, como sucede na maioria das aromáticas, é uma planta “sociável” e que sempre dá algo em troca. Na vossa imaginação deixo o seu  aroma e na fotografia a evidente vontade de multiplicação das suas folhas.

 

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Nestes tempos loucos que estamos a viver precisamos, mais do que nunca, de ser um pouco como os mangericões: sermos troca, sermos dar e receber. Como?

Procurando a beleza que continua viva perto de nós e cheia de vontade do nosso olhar. Procurando os detalhes positivos, porque eles são alimento. Procurando descobrir os pequenos prazeres que podem ser gratificantes e gerar uma boa energia. Procurando aqueles detalhes que podemos dar, receber e trocar mesmo à distância, sem toque, afagos ou abraços.

Precisamos muito…seja por nós, seja pelos outros.

 

 

 

dia extra

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De quatro em quatro anos um rasgo no tempo deixa entrar mais um dia, o 29 de Fevereiro, a fim de ajustar o nosso calendário ao movimento de translação da terra. Estamos perante um dia que só voltará a dar um ar da sua graça 1460 dias depois e por isso, talvez um tempo com problemas de identidade ou, pelo contrário, talvez demasiado seguro e confiante por ser diferente dos demais.

Sendo o primeiro 29 de Fevereiro que visita discretamente este blog, não poderia deixar de marcar o evento e dar-lhe alguma atenção. Neste recanto de Portugal onde vivo, ele nasceu bastante mal disposto, cinzento e muito chuvoso. Talvez por uma questão de adaptação a uma situação que é para ele tudo menos rotineira…

Mas tudo passa na vida e também no humor do tempo, pelo que a perspectiva é de alguma melhoria, esperando-se que as restantes horas deste dia incomum se espreguicem por um céu entre o azul, o sol e as nuvens.

Gostaria de voltar a referi-lo daqui a quatro anos. Significaria que tanto eu como o blog persistíamos no tempo… que eu me estaria quase a aposentar… que……que…….e que…

Entretanto…

…vou à vida para aproveitar as horas que o relógio ainda me oferece neste dia!

 

Um bom 29 de Fevereiro para todos!

 

 

 

ponto de luz

 

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Lisboa é apenas um ponto neste mundo.

Um ponto de um mundo simultaneamente belo e cheio de absurdos, de um mundo gerido por alguns leaders voluntariosos, perigosos, que não respeitam acordos assinados, sem noção dos efeitos das suas acções e com uma evidente falta de bom senso.

Entretanto o sol continua a nascer todos os dias.

Eu tenho a felicidade e o privilégio de tranquilamente poder apreciar esse momento neste ponto do mundo, no meu país, em segurança e em paz.

Muitos não.

 

(Lisboa, hoje)