nuvem viajante…

 

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Olhei,
e vi um pássaro gigante no céu da minha janela…

Seria uma nuvem-pássaro…
um pássaro-nuvem…
ou apenas
esta voadora imaginação?

Talvez fosse uma nuvem distraída que se perdera de outras
e veloz,
as tentasse apanhar…

…ou uma nuvem exploradora da liberdade
deambulando pela vida
pelo mundo, pelo vento
e pelo ar!
Talvez uma nuvem a viajar!

Amanhã,

também eu irei “voar” pela liberdade das férias
respirando paisagens,
olhares
e lugares
desta terra lusitana.

O corpo e a mente
precisam muito de descansar,
e o blog,
discretamente
ficará a aguardar!

 

Isto significa que nas próximas duas semanas não irei publicar nem vos irei acompanhar! Até breve!

 

(Dulce Delgado, Julho 2019)

 

 

 

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dúvida

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Quando a dúvida
se instala…
…o sim
…o não
…e o talvez
invadem o pensamento
sem piedade
ou sensatez.

Confusos
vagueiam no tempo
e no labirinto da mente,
espaço obscuro
e invisível,
mas sempre,
sempre transponível.

Em breve,
num profundo respirar,
a mente irá encontrar
…uma luz
…um lugar
…ou um caminho
passível de enveredar,
de seguir…

…e então decidir
com qual quer ficar!

 

(Dulce Delgado, Junho 2019)

 

 

 

sopro

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Intenso,
o vento sopra
na profundidade do meu ouvir,
na pele da minha face
e na frescura desse sentir.

E ecoa na mente…

…entre pensamentos soltos
deste viver,
energias livres
de história
ou raízes.

O que lhes diz?

Nada…
…apenas os afaga
e com eles dança feliz!

 

(Dulce Delgado, Março 2019)

 

 

 

saudável atenção

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Nem só de poesia…de natureza…ou de sensibilidades, as temáticas que discretamente vão prevalecendo neste espaço, se alimenta a nossa existência. O corpo que nos sustenta é uma fabulosa estrutura que devemos cuidar com todo o carinho e de forma equilibrada.

Vivemos na época da “provocação” saudável, em que constantemente nos sentimos questionados sobre o que é bom ou mau para a nossa saúde. E as linhas orientadoras são tantas que, em certos detalhes, muitas vezes entram em contradição.

Há algum tempo dediquei-me a leituras nessa área que me permitiram chegar a várias conclusões:

– a primeira, foi que me alimentava bastante bem;

– a segunda, que a partir daí iria olhar com mais atenção para os componentes dos produtos processados;

– e a terceira, que o melhor seria não ler mais nada e limitar-me a “conversar” sensatamente com o meu corpo para entender o que ele realmente necessitava.

Nesse diálogo, apenas uma certeza: de vez em quando daria toda a liberdade ao paladar e esqueceria o “saudável” e o “não saudável”. O corpo e a mente precisam de prevaricar de vez em quando, apesar da possibilidade do primeiro vir a sentir os efeitos desse deslize. Mas será o preço a pagar em nome de um equilíbrio mais geral.

Pessoalmente, sei que o espírito “saudável” em breve regressa porque ele está nos “genes alimentares” que me constroem. Sendo filha do sul da Europa cresci na dieta mediterrânica e sempre com o mar por perto. O peixe fresco estava na mesa todos os dias, bem cozinhado por uma mãe algarvia com imenso jeito para a cozinha. Tudo era bom, inclusive os ingredientes, sendo muitos os sabores que recordo e que ainda hoje me fazem crescer água na boca. As tentativas de conseguir esses paladares nunca deram os resultados desejados porque lhes faltava sempre algo… talvez o principal… talvez a boa energia de uma mãe…

Nesses tempos quase tudo era confeccionado em casa e a lista de produtos processados diminuta. Hoje a situação é oposta e tudo se pode comprar já preparado, sendo muito raro ver alguém num supermercado a consultar o rótulo para saber o que vai realmente ingerir.

Percebi essa urgência, por exemplo, quando me foquei na quantidade de açúcar que contêm os produtos. A realidade é assustadora, especialmente quando decidimos converter o valor indicado nos rótulos em número de pacotinhos de açúcar como os que se colocam num café. Um simples iogurte, por exemplo, pode conter o equivalente a três pacotes de açúcar, o que é um absurdo. Mas procurando bem, ainda se encontram alguns com 4/5 gramas, o que apesar de ser bem menos, ainda equivale a um pacote.

Ao assumirmos um momento de gulodice sabemos conscientemente o que estamos a fazer e quais as suas consequências. O que não está certo é não termos consciência da quantidade de açúcar que constantemente ingerimos de uma forma “escondida”, apesar de ser do conhecimento geral o quanto ele prejudica o bom funcionamento do nosso organismo.

Sugiro a quem ainda não o fez, que dedique algum do seu tempo a observar e a comparar os rótulos dos produtos que consome. Talvez seja o primeiro passo a dar antes de tentar entender/seguir as muitas tendências “saudáveis” que há por aí.

O nosso corpo agradece.

 

 

 

girando…

 

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Por vezes os pensamentos giram em turbilhão na nossa mente; noutros momentos basta um, apenas um, para ela entrar em agitação e ficar perturbada. São uma realidade na nossa vida e, seja numa situação ou na outra, ambas são passíveis de gerar desequilíbrios no nosso dia-a dia.

Enquanto isto…

…vivemos sobre uma bela esfera que roda a uma velocidade média de 465m/segundo, o que significa que percorre 1 674km numa hora e aproximadamente 40 075 km num dia para quem está situado perto da linha do Equador. Esta inconcebível velocidade a que em cada momento somos deslocados, acontece ao mesmo tempo que respiramos… andamos…trabalhamos… dormimos…comemos…amamos… rimos…choramos….ou pensamos!

Ou seja…

…sentimos por vezes dolorosamente, no corpo e na alma, a agitação e as perturbações provocadas pelo acto de pensar, apesar de um pensamento ser algo tão inconsistente, imaterial e subtil….e não nos apercebemos minimamente da velocidade supersónica a que em cada instante rodopiamos pelo Universo, na superfície deste frágil grão de areia.

E então penso: como tudo é tão, mas tão relativo nesta nossa existência! Porque, num mesmo momento conseguimos ser hipersensíveis a um simples pensamento e totalmente indiferentes ao turbilhão que nos envolve e de que fazemos parte!

 

(Estes pensamentos rolaram…a propósito do Dia da Rotação da Terra que hoje se comemora)

 

 

 

ideia nascida

 

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Imagino uma ideia…

…como um pensamento
jovem
e inseguro,
que a outros pede boleia.

Juntos
desenham um plano
meio leviano,
indo à aventura
viver a odisseia.

Nessa vivência…

Ou ficam presos na teia da mente
e nada acontece…
ou deslizam na torrente do pensamento
e desaparecem no oceano da intenção…
ou, cientes e determinados
terminam a aventura,
unidos,
conscientes
e quase resolução.

Mais segura e adulta,
em breve,
a ideia será acção!

 

(Dulce Delgado, Janeiro 2019)

 

 

 

aquele lugar…

 

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Ao ultrapassar a realidade, a imaginação tem algo de mágico e de maravilhoso.
Sem esforço, nessa viagem tudo alcançamos, contornamos e criamos. Os olhos da mente elaboram planos, resolvem situações, alteram comportamentos e criam lugares… por vezes maravilhosos. Certamente que haverá por aí muita imaginação menos prosaica e mais destrutiva que a minha, mas tal não interessa para o tema.

Nos meus sessenta anos de olhares, muitos sobre o céu e as nuvens, foram imensos os momentos que me cativaram e alimentaram a imaginação. Mas nunca encontrara aquele lugar já imaginado, aquele lugar de linhas desenhadas e fluídas… misto de montanha e cidade…uma espécie de mundo paralelo habitado de horizontes e de infinito….

Encontrei esse lugar, recentemente, ao amanhecer.
Estava ali, à espera do meu olhar. Fiquei parada, vidrada e maravilhada. Registei o momento com emoção e depressa percebi a sua efemeridade, porque num dos extremos, o ritmo de dispersão das nuvens era evidente. Minutos depois tudo se alterou e desapareceu. Ele não estava ali só para mim, mas eu estava sensibilizada para o encontrar.

Há momentos na vida em que um detalhe faz toda a diferença.
Por vezes, circunstâncias diversas provocam uma quebra de energia e uma maior dificuldade em manter o habitual positivismo, sendo fácil surgir o sentimento de estarmos a “atraiçoar” a nossa verdadeira natureza. Um sentir um pouco absurdo, porque somos humanos e nada é linear nem igual nesta vida. Mas nesses momentos de maior fragilidade, essa mesma Vida é perita em nos “oferecer” momentos especiais, por vezes absurdos para os outros, mas muito simbólicos para nós. Como foi este, ou outros já ocorridos na minha vida.

Ele significou que…

… não há impossíveis
… não podemos desistir de acreditar/esperar/encontrar
… é importante manter o foco, um “horizonte”, mesmo que o caminho seja por vezes mais complexo
… na altura certa aparecerá algo que nos alerta/ estimula/ questiona e ajuda
… e que é fundamental manter-mo-nos atentos, seja com o olhar, seja com a alma!

Apenas dessa forma as energias que somos e as energias que nos cercam se poderão “alinhar” para nos mostrar de infinitas e estranhas formas aquilo que precisamos de entender/aceitar em determinado momento da nossa Vida.

 

Por vezes os relógios acordam-nos à hora certa…