sempre o tempo…

 

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Permitiram os últimos tempos dar tempo a tudo e também a “organizar” o passado. Gavetas, caixas e dossiers onde o tempo e os momentos da minha vida foram guardados com ternura ao longo dos anos, foram agora revisitados, lidos, relembrados, surpreendidos…

Nesse rol emocional e afectivo de mensagens, cartas e postais recebidos, encontrei uma folha  que me foi oferecida há alguns anos por um amigo com um poema da autoria da escritora Maria Teresa Horta, uma mulher interventiva, lutadora e com um papel importante na sociedade portuguesa nas últimas seis décadas.

Porque aprecio este poema, vou hoje partilhá-lo. Intitula-se O Tempo e centra-se naquele tempo que passa célere por nós…que num instante se foi…e na vida que passou. Um tema sempre actual e a ter presente todos os dias. A Vida assim o merece.

 

O Tempo

Seria já…ou ontem?
Não me lembro…

O que interessa o tempo
neste caso?
Se não fosse Agosto era Dezembro
As horas que se gastam não refazem

Seria já…ou ontem?
Não me lembro

Os anos voam
num instante de asa
E nós não o querendo vamos sendo
e sem dar por isso a vida passa.

 

(Este poema está incluído no livro Destino, editado pela Quetzal Editores em 1998)

 

(Obrigada Zé!)

 

 

 

 

11 thoughts on “sempre o tempo…

  1. Hoje sinto-me feliz por qualquer coisa que me veio lembrar que a vida é bela. Agarro o momento e não quero deixá-lo. Hoje quero que a vida permaneça, mas aqui vem este poema para me lembrar que “… e sem dar por isso a vida passa”. Neste momento não quero pensar nesta verdade. Quero ficar neste momento de felicidade que sinto, hoje, agora, mas que amanhã, sei, vai-me deixar. É assim como os passos que damos na areia que ficam imprimidos até que a onda do mar os apage.

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    1. É bom que nos lembremos mais vezes que, apesar das circunstâncias, da estranheza e da insegurança destes tempos, que existe uma efemeridade que nos acompanha a cada instante da nossa vida. E que só por isso, temos o “dever” de apreciar cada dia o melhor possível e agradecer por esse facto.
      O tempo não perdoa e a Vida merece-nos esse cuidado.
      Muito obrigada Emanuel e desejo um dia em pleno!

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  2. Sempre actual… É daquelas coisa que ficam para a história e, independentemente da data, é sempre o espelho daquilo que vivemos.
    Faz-me lembrar algumas músicas de autores portugueses, agora, vem-me à cabeça a música “FMI”, do José Mário Branco, é sempre actual. Incrível, genial, tudo de bom que se pode dizer. 🙂

    Abraço e bom fim-de-semana! 🙂

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