um verão diferente

 

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Um tanto em contradição com a liberdade e com a vontade de exteriorização que o caracteriza, o Verão chegará hoje às 22 horas e 44 minutos de “máscara”, um tanto tímido, meio desconfiado e visivelmente inseguro quanto à forma como será vivido neste setentrional hemisfério.

Em conversa prévia com uma Primavera ainda bastante ressentida do choque vivido nos últimos meses, ele sabe que encontrará alguma contenção de gestos e atitudes, e um distanciamento que está longe da sua filosofia de vida, baseada na liberdade, na socialização, na proximidade, nos gestos fáceis, no convívio e…quantas vezes até no espírito “todos ao molhe e fé em Deus”.

Para uma grande maioria mais consciente, este será um Verão comedido e seguramente mais contido que os anteriores, seja pela forma menos calorosa de nos manifestarmos, seja pelo olhar ao canto do olho que daremos em muitos momento a fim de manter aquela segurança exigida e recomendável. Para outros porém, haverá excessos, pouco cuidado e obviamente  mais riscos associados.

O Verão percebeu durante esse diálogo entre estações que estará no seu tempo a possibilidade de se alcançar o desejado ponto de equilíbrio, como somatório de muitas atitudes conscientes e, claramente, de um desejado bom senso. Que esperemos exista.

Circunstâncias mais complexas encontrará o Inverno no hemisfério sul que hoje o recebe, já que o frio que sempre o acompanha será um factor adicional de risco. Então, que a sul como a norte, que o bom senso impere. Em prol de todos.

Que seja então o melhor Verão… ou o melhor Inverno, consoante a geo-localização do olhar que chegou a este ultimo parágrafo!

 

 

 

 

ponto de luz

 

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Lisboa é apenas um ponto neste mundo.

Um ponto de um mundo simultaneamente belo e cheio de absurdos, de um mundo gerido por alguns leaders voluntariosos, perigosos, que não respeitam acordos assinados, sem noção dos efeitos das suas acções e com uma evidente falta de bom senso.

Entretanto o sol continua a nascer todos os dias.

Eu tenho a felicidade e o privilégio de tranquilamente poder apreciar esse momento neste ponto do mundo, no meu país, em segurança e em paz.

Muitos não.

 

(Lisboa, hoje)

 

 

 

 

brasil

 

O que se passa com o Brasil?

O que é que está a acontecer no país da alegria, da boa disposição natural e de uma certa tranquilidade? Até há pouco tempo, o que de pior acontecia no Brasil era associado ao tráfico de droga, aos gangs das favelas, etc., ou seja, à classe com menos poder e provavelmente menos educação. Apesar disso, parecia relativamente saudável e a crescer, o que justificou o retorno de milhares de emigrantes ao país a fim de aí reconstruírem as suas vidas.

Porém, em relativo pouco tempo, tudo parece ter mudado. Hoje o Brasil parece um país doente. Neste momento, quando penso nele, associo a um daqueles jardins que estava relativamente bonito, mas que em pouco tempo deixou de o ser porque as ervas ruins cresceram sem controlo. Com o desabrochar dessa nova espécie, foram-se os princípios, foi-se o bom senso e entrou-se no ”vale tudo” para se chegar onde se quer. É como se tivesse ocorrido uma estranha epidemia naqueles que deviam ter mais juízo como representantes de um país, ou seja, os políticos, os partidos políticos, os detentores do poder, a justiça, etc. supostamente as pessoas com melhor nível de educação e das quais se esperaria uma postura correcta.

Honestamente, o que incomoda, não é saber em que lado ou partido está a razão, se à direita ou esquerda, e ainda menos se a presidente deveria ou não ter sido destituída. O que me incomoda mesmo no actual Brasil, é ter a sensação que o país está à nora e perdeu a razão. Tornou-se estranho, desunido, extremado e quase absurdo, na medida em que as instituições se desdizem/anulam, e os partidos querem à força manter ou ganhar o poder. É certo que isso acontece um pouco em todos os países, mas não desta forma tão rude e sem princípios.

Deste lado do Atlântico, sou certamente uma ignorante da verdadeira realidade do país. O que escrevi é apenas um sentir resultante das informações diárias e eventualmente limitadas e/ou tendenciosas dos meios de comunicação. Mas, o que gostaria mesmo, era que o Brasil rapidamente se reencontrasse e saísse deste filme, porque este filme triste não faz parte do seu ADN. Estou certa que o povo brasileiro é bem melhor do que aquilo que estamos a ver diariamente através dos seus representantes. O mundo precisa de um Brasil decente, com bom senso e com boa energia.

Além disso, sendo palco em breve de uma Olimpíada, seria bom que se equilibrasse e conseguisse integrar e transmitir o espírito de paz, de respeito pelas diferenças e de união que caracterizam esse evento.